Campanhas contra o tabaco geram polêmica no Brasil

Revista Voto
As campanhas contra o tabaco envolvendo governo, ONGs e sociedade civil reacendem a polêmica sobre as liberdades individuais.

Outra preocupação é com as milhares de famílias brasileiras que sobrevivem apenas da produção do fumo. Para o deputado estadual Miki Breier (PSB-RS), essas medidas do governo para restringir o consumo, por meio do aumento nos preços, pode estimular o contrabando e a ilegalidade. “Os efeitos serão contrários porque o consumidor vai procurar o melhor preço”, afirmou.

Suspeitas de que interesses de outros setores têm colaborado para essas restrições, cada vez mais severas contra os fumantes, coloca em debate quais são os reais interesses destas campanhas? Para colocar mais lenha na fogueira, o colunista Claudio Humberto divulgou ontem que uma ONG que atua no combate ao cigarro, a Aliança de Controle do Tabaco, é financiada por empresas do setores farmacêutico e de laboratórios. Integrantes teriam admitido ao deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Para pressionar pela redução do consumo de tabaco no país, outras ações, desta vez por parte do governo, são desenvolvidas. Primeiro, uma consulta pública da Anvisa buscando a proibição do uso de ingredientes que adicionassem sabor ao cigarro. O resultado ainda não foi divulgado.

Na semana passada, o governo anunciou a ampliação dos impostos sobre o cigarro, o que deverá provocar elevação considerável no preço ao consumidor final. Com o aumento nos tributos, o valor do maço deverá ficar cerca de 50% mais caro. Além disso, é forte a campanha de restrição à publicidade e à inclusão de fotos no verso das carteiras comercializadas. Já nos municípios, são inúmeras as leis que limitam cada vez mais os locais onde o cidadão pode fumar, o que divide opiniões e gera polêmica entre os consumidores.

De um lado, alguns veículos de impresa ampliam as ações de combate ao fumo e, ao mesmo tempo, estimulam o consumo de bebidas alcoólicas, como é possível ver em algumas novelas. Se o cigarro foi banido, o álcool entrou com força. Em Insensato Coração, que se encerrou recentemente, a bebida aparecia com força em todos os núcleos de personagens e nas mais variáveis situações. Para o presidente da Associação Brasileira de Estudos contra Álcool e outras drogas, Carlos Salgado, isso representa uma falta de consciência sobre os efeitos da bebida na vida das pessoas e também por estimular o seu consumo entre os jovens.

Do outro lado e com voz menor, movimentos tentam alertar para a postura cada vez mais severa contra o direito de se fumar ou não. Um deles é o “Fumantes Unidos”, que foi criado pelo jornalista e publicitário Fabrício Rocha. O objetivo é o de assegurar o reconhecimento ao direito de escolha do cidadão. “Os fumantes sabem dos riscos que correm, não há falta de informação atualmente”, avalia.

As restrições à produção e à comercialização do tabaco no Brasil poderão afetar milhares de famílias produtoras, em especial na região Sul, onde a concentração é maior. Integrante da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), lembra que o Brasil é o segundo maior produtor mundial de tabaco e lidera as exportações. Ele aponta ainda que a produção de fumo é desenvolvida em 720 municípios dos estados do Sul, envolvendo mais de 185 mil pequenos produtores, 870 mil pessoas na área rural. As indústrias do setor mantém 30 mil empregos diretos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)