OMS: metade dos fumantes vai morrer por doença ligada ao tabaco

Jornal Nacional
Para cada pessoa que fuma, há pelo menos outra exposta à fumaça. Muitos fumantes só conseguem largar o cigarro ao descobrirem uma doença.

Para cada pessoa que fuma, há pelo menos outra que fica exposta à fumaça. O repórter André Luiz Azevedo mostra que muitos fumantes só conseguem largar o cigarro quando descobrem que estão doentes.

Rosa Garcia fuma há 36 anos e está com câncer no pulmão. Joel Ferreira é fumante desde os 14 e tem câncer na laringe. Maria Helena fuma há 40 anos e tem câncer na boca.

“Pode ter sido cigarro, sim. Porque eu só fumo desse lado”, reflete Maria Helena.

Em uma pesquisa feita em 14 países que representam metade da população mundial, o Brasil se destacou como o segundo país com menor percentual de fumantes: 18%. Isso representa quase a metade do que era há 22 anos.

Segundo os dados oficiais, são cerca de 25 milhões de fumantes no Brasil.

“Nós queremos reduzir ainda mais essa proporção. O nosso alvo em primeiro lugar são as mulheres, os jovens e as pessoas de mais baixa escolaridade”, diz o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O problema não é só dos fumantes. Quem está em volta também sofre; 24 milhões de pessoas no Brasil são fumantes passivas dentro de casa. No apartamento da corretora de seguros Ana Cecília, ela é a única que fuma.

“Não gosto de ficar perto, é muito ruim o cheiro”, reclama a filha Isadora.

“Ela fuma lá no quarto dela e a fumaça vem para cá. Todo mundo fala que quem não fuma mas tem fumante dentro da casa é fumante passivo. E não é bom”, avalia a mãe Anna Maria Levy de Lavor.

Diante de tanta pressão, Ana Cecília diz que tem ir para a rua para fumar, e isso não acontece só em casa. Ela conta que no trabalho é a mesma coisa. “É proibido, então tem que fumar escondido.”

As restrições ao fumo não são as mesmas no Brasil inteiro, já que muitos estados e municípios têm leis específicas sobre o cigarro bem mais severas do que a atual legislação federal, que é de 15 anos atrás. A lei federal proíbe o fumo em recintos fechados coletivos, mas autoriza áreas para fumantes, conhecidas como fumódromos.

Sete estados já têm legislação própria com proibição total ao fumo em qualquer ambiente fechado. Um projeto de lei em discussão no Congresso quer levar a restrição para todo o país.

“Somente uma proibição integral do tabagismo nos ambientes fechados é eficaz para proteger a saúde da população”, defende Felipe Mendes, técnico da Comissão de Controle do Tabaco.

A OMS afirma que metade dos fumantes vai morrer por alguma doença relacionada ao tabaco. No Brasil, são 200 mil mortes por ano devido ao tabagismo, segundo o Instituto Nacional de Câncer. O médico do instituto Ricardo Meirelles usa uma imagem chocante para mostrar as doenças provocadas pelo fumo. São doenças graves, nem sempre associadas ao tabagismo.

“Fumante é uma pessoa que vai ter mais pneumonia, mais tuberculose, mais infecções respiratórias altas, como sinusite. Outras substâncias também no cigarro vão levar a alterações oculares. O cigarro também pode levar à cegueira. Osteoporose também é muito frequente”, alerta Meirelles.

No caso do câncer, mesmo para quem já está doente por consequência do cigarro, os médicos alertam sobre a importância de parar de fumar.

“O resultado do tratamento do câncer em um paciente que para de fumar logo após o diagnóstico é melhor. Ele vai ganhar em qualidade de vida e em sobrevida se ele parar de fumar”, aponta Cristina Cantarino, médica do Inca.

Maria Helena afirma que está parando de fumar. “Vinte e três dias.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)