Sobe o número de mães dependentes qúímicas que perderam tutela de bebê em São Paulo

R7
Levantamento da Secretaria Estadual de Saúde foi feito em quatro maternidades.

Um levantamento produzido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo na maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, a maior da zona leste, apontou o aumento no número de mães dependentes de crack e cocaína que perderam a tutela de seus bebês em razão do vício nas drogas.

Por meio do serviço social, o hospital encaminhou, em 2010, para a Vara da Infância e Juventude, 43 crianças cujas mães não tinham condições de manter a guarda do filho em virtude da dependência química.

Em nota, a secretaria afirma que esse aumento foi progressivo no decorrer dos anos. Em 2007 houve apenas um caso. Em 2008, no entanto, o número aumentou para 15 crianças. Já em 2009 foram 26 casos, o que representa um aumento de 73% se comparado ao ano anterior.

Só no primeiro trimestre deste ano, o hospital já registrou 14 casos de perda da tutela. Outros três hospitais estaduais da capital apresentaram também casos de bebês encaminhados ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância neste ano, em razão de dependência química das mães. Foram 13 ocorrências no Hospital Geral de Pedreira, 14 no Hospital Geral de São Mateus e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba.

O fluxo de atendimento levou o Leonor Mendes de Barros a realizar um estudo específico para diagnosticar os aspectos sociais que compõe o cenário de prejuízo materno em detrimento das drogas.

Com base na análise de 33 prontuários de pacientes que deram entrada entre abril de 2009 e abril de 2010, foi observado que 64,5% das mulheres que estavam em trabalho de parto tinham idade entre 15 e 25 anos. O estudo revela também que há predomínio de mães com baixo nível de escolaridade – 54,8% não completaram o Ensino Fundamental – e ausência de profissão estabelecida (61,3%).

A dependência química também atrapalha o acompanhamento médico das gestantes – 48,4% das pacientes não aderiram ao total de consultas de pré-natal oferecidas. Entre as drogas mais consumidas por esse grupo estão o crack (41,94%) e a cocaína (19,35%).

O estudo revelou ainda que 48% das mulheres atendidas na maternidade possuem companheiros também usuários de drogas, o que dificulta a tomada de decisão para o abandono das drogas e pela procura por tratamento.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)