Fumar pode causar infertilidade e problemas durante a gravidez

Saúde e Lazer
O cigarro é, sem dúvida, um grande algoz das mulheres. Prova disso, são os efeitos nocivos que o tabagismo causa ao organismo feminino.

Entre as implicações estão o aumento da taxa de infertilidade, alteração no ciclo menstrual, além de causar problemas durante a gravidez, doenças cardiovasculares e respiratórias.

E tudo pode ficar ainda pior quando a mulher usa anticoncepcional, pois a junção destes dois fatores – substâncias hormonais e nicotina – torna os efeitos do cigarro ainda mais prejudiciais. Diante desta realidade, vale a pena ficar atenta aos esclarecimentos dados pela ginecologista Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844), diretora do Centro de Endometriose São Paulo, que respondeu várias questões sobre o tabagismo feminino.

1) Existe alguma estatística que quantifique as desvantagens de uma mulher que fuma sobre uma não fumante? Por exemplo, quantas chances a mais de abortar a fumante tem em relação a quem não fuma? Quanto tempo a mais a fumante pode demorar para engravidar? Quais as chances de uma fumante engravidar quando comparada às de uma não fumante?
Não há dados numéricos, mas sabe-se que o cigarro altera o funcionamento do ovário e afeta a produção de hormônios, fazendo com que a mulher tenha menores taxas de ovulação, fator que pode antecipar a idade da menopausa. Além disso, o tabagismo pode prejudicar o tecido uterino, levar ao aumento das taxas de abortos e alterações do ciclo menstrual.

2) Por que o cigarro afeta mais a mulher do que o homem quando o assunto é fertilidade?
Isso acontece, porque o tabagismo afeta diretamente o ovário, diminui a produção do estrógeno, o que não ocorre com o homem por questões naturais de organismo.

3) Qual é o perigo direto do cigarro na gravidez? Como ele afeta os hormônios reprodutivos?
O cigarro pode diminuir a quantidade de hormônios produzidos pelo ovário e prejudicar a vascularização do útero, causando mais taxas de abortamentos. Alem disso, pode causar diminuição da oxigenação e nutrição do feto através da placenta levando a maiores taxas de retardo de crescimento intra-uterino.

4) O número de óvulos de uma mulher é pré-determinado e, em princípio, esta quantidade se mantém ao longo de sua vida fértil. O cigarro altera essa quantidade? Como se dá esse desgaste?
O cigarro é o único fator que comprovadamente diminui a idade da menopausa, justamente por destruir o tecido ovariano mais rapidamente. Ou seja, a mulher que fuma pode parar de ovular e iniciar a menopausa mais cedo.

5) O fumo causa a infertilidade e dificulta o processo de engravidar. É isso? Comente.
Sim, pois o tabagismo pode causar a infertilidade, já que diminui a produção de hormônios, lesa o tecido do ovário e diminui a vascularização do útero, o que propicia maior dificuldade para engravidar.

6) A combinação anticoncepcional e cigarro é uma verdadeira bomba. Por que essa mistura é tão perigosa?
O cigarro é um fator de risco para trombose, ou seja, entupimento das veias por um coágulo. Já os anticoncepcionais que tem um hormônio sintético, chamado etinil estradiol, também aumenta o risco de trombose. Por isso, essa combinação associada ao fator de risco idade (mulher com mais de 35 anos), é tão perigosa.

7) Mesmo que uma mulher fumante pare de fumar na gestação, ela corre riscos durante a gravidez?
Os riscos diminuem bastante se a mulher deixar de fumar, já que não há efeito acumulativo. Porém, as lesões dos ovários e no útero não regridem.

8) Pode estimar em quantos anos a menopausa pode vir precocemente, ou seja, ela é antecipada em quantos anos?
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mulheres que fumam estão mais sujeitas a iniciar a menopausa antes dos 45 anos de idade, o que pode aumentar o risco de osteoporose e doenças cardíacas.

9) Quais os problemas que o fumo pode ocasionar à saúde da mulher? De que forma o cigarro age no organismo para desencadear estas alterações?
Podemos citar ainda duas importantes alterações que o fumo promove:
– Diminuição da imunidade da mulher, predispondo a infecções genitais, como vulvovaginites, a exemplo da candidíase, recidiva de infecção do HPV e recidivas de herpes genitais;
– Alteração da produção hormonal ovariana de estrogênios. Há uma redução da produção desse hormônio, podendo levar a irregularidade menstrual. Além disso, o fumo é o único fator que comprovadamente antecipa a idade da menopausa da mulher, como já destacamos.

Perfil
Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) – A Dra. Rosa Maria Neme é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein.

O Centro de Endometriose São Paulo conta com serviços voltados à assistência global da saúde da mulher e valorização da beleza feminina. A iniciativa deste projeto pioneiro é da Dra. Rosa Maria Neme, que possui diversos trabalhos publicados sobre a endometriose e larga experiência no tratamento desta doença. Ela lidera uma equipe clínica formada por médicos e profissionais nas áreas de ginecologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, urologia, clínica geral, anestesia especializada no tratamento de dor, dermatologia, fisioterapia, nutrição e psicologia.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)