Denúncia revela uso de crack em canaviais

Band
Associação repudia pesquisa de deputados e diz que denúncia é “irresponsável” e que precisa de provas

Uma pesquisa divulgada nesta semana pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), gerou polêmica entre deputados e a Unica (Associação dos Usineiros do Estado de São Paulo). O levantamento revelou que o crack avançou nos últimos anos. Os dados são de um questionário respondido por governos de 325 municípios paulistas.

De acordo com os deputados há denúncias crescentes sobre o uso do crack em lavouras de cana-de-açúcar, com a conivência e até incentivo das usinas. “A liberação do crack nas usinas, em tese para melhorar a produção, é muito preocupante”, disse o coordenador da frente, Donisete Braga (PT).

Porém, segundo a Unica, “qualquer insinuação de que empresas do setor sucroenergético paulista estejam incentivando o uso de drogas ilícitas de qualquer tipo e com qualquer finalidade é absurda”. Em entrevista ao Portal da Band, o diretor de comunicação da associação afirmou que declaração do deputado é “irresponsável” e que é “obrigação apontar as usinas que fazem isso com seus trabalhadores”.

De acordo com nota da associação, o deputado Donisete levantou a hipótese da existência de “crianças e adolescentes” que utilizam crack em usinas. Quanto a esta denúncia, a Unica informou que esta “parece ignorar que em 1999, foi assinado um pacto pela erradicação do trabalho infantil na indústria da cana. Desde então, não há registro de trabalho infantil na cana-de-açúcar em São Paulo”.

Os dados

Nos 325 municípios que responderam o questionário, 12% recebem ajuda financeira do governo federal e outros 5% do governo estadual. A pesquisa ainda indicou a existência de leitos públicos insuficientes para o tratamento hospitalar de dependentes químicos e índice de reincidência superior a 50%.

Também chamou a atenção dos deputados a chegada de drogas sintéticas no interior do Estado. Elas foram citadas por cidades das regiões de Ribeirão Preto (4%), Bauru (3%) e Sorocaba (2%).

Segundo a Alesp, agora a frente se prepara para reivindicar recursos no valor de R$ 200 milhões para o combate ao crack e outras drogas na discussão do PPA (Plano Plurianual) do Estado para o quadriênio 2012-2015. “Temos de construir força política, suprapartidária, para atingir esse objetivo”, disse Donisete.

Veja nota da Unica na íntegra:

– Sobre o levantamento divulgado por deputados estaduais paulistas nesta terça, 20/09, e conclusões disseminadas com base em seus resultados, inclusive texto repleto de interpretações e conclusões sem embasamento, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar informa que:

– Considera absurda qualquer insinuação de que empresas do setor sucroenergético paulista estejam incentivando o uso de drogas ilícitas de qualquer tipo e com qualquer finalidade;

– Considera igualmente absurdas quaisquer conclusões a partir do levantamento feito pelos deputados, já que não se trata de pesquisa com metodologia e margens de erro, que permita chegar a conclusões. Trata-se, aparentemente, de um levantamento, ou “enquete”, respondido por menos de metade dos municípios procurados e que não consultou a população diretamente, o que torna qualquer conclusão com base nesses resultados sujeita a sérias distorções;

– O comentário do Deputado Donisete Braga, sobre a existência de “crianças e adolescentes” que utilizam crack em usinas, parece ignorar que em 1999, foi assinado um pacto pela erradicação do trabalho infantil na indústria da cana. Desde então, não há registro de trabalho infantil na cana-de-açúcar em São Paulo;

– O deputado, ao comentar os dados do levantamento, trata de maneira irresponsável e sem embasamento ou dados concretos, situações isoladas e que ocorrem em praticamente todos os setores da sociedade. Dessa forma, com insinuações vagas e demonstrando flagrante falta de critério, o deputado se refere a eventuais casos de uso de crack como se fossem norma dentro de um setor inteiro, que emprega mais de um milhão de pessoas em todo o Brasil. Agindo assim, o deputado denigre indiscriminadamente mais de 440 usinas em atividade no País, sem ser específico sobre o que afirmou;

– A UNICA lembra ainda que recomenda às empresas do setor sucroenergético o cumprimento integral das leis trabalhistas e dos acordos coletivos de trabalho. Estes não contemplam jornadas excessivas de trabalho como as citadas em algumas matérias divulgadas pela mídia. A grande maioria das empresas do setor no Estado de São Paulo é signatária do Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, assinado em 2009 pelo governo federal, sindicatos e empresas do setor. O Compromisso adota as melhores práticas trabalhistas existentes no setor sucroenergético – práticas que vão além do que determina a lei
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)