Baladas nas ruas são movidas a álcool

Diário do Grande ABC
Adolescentes e adultos curtem a balada a céu aberto. No local não há seguranças, controle de venda de bebidas alcoólicas para menores ou banheiros limpos.

No meio disso, meninas de 14 anos rebolam até o chão no embalo de músicas em alto volume, que infermizam a vida dos moradores das imediações. Garotas mais velhas se exibem para os carros que passam na avenida e para os homens que têm o combustível da noite nas mãos: uma garrafa de vodka e outra de energético. Assim são as noites e madrugadas de sexta-feira, sábado e domingo nas áreas de um posto de combustíveis na Avenida Giovanni Batista Pirelli, em Santo André. Esse foi um dos abusos no consumo de álcool que a equipe do Diário encontrou na região.

Mesmo após o Diário publicar matérias, em janeiro, denunciando o consumo de drogas e bebidas por adolescentes e adultos, a situação não está muito diferente nove meses depois nos municípios.

O caso mais grave foi em um pancadão no posto de combustíveis em Santo André, mas em São Bernardo, no antigo supermercado municipal, em frente ao Paço, nem se pode utilizar da desculpa de que está encravado na periferia. Das janelas do prédio da Prefeitura é possível ver dezenas de jovens, a maioria vestidos de preto, com latas de cerveja, garrafas de vinho, vodka, pinga e cigarros de maconha, consumindo sem qualquer problema.

Um posto de combustíveis é onde os garotos compram as bebidas, mas a equipe do Diário observou que o caixa da loja de conveniência solicita o documento de identidade, mas também percebeu a tática usada por grupos de menores. Eles entram no estabelecimento, escolhem as bebidas, pegam o dinheiro na carteira e pedem para um amigo ir até o caixa pagar. Assim que a porta é aberta, o verdadeiro dono já solicita a sua garrafa e entorna sem qualquer cerimônia.

No estacionamento do antigo supermercado ficam cerca de 100 jovens. Eles conversam, namoram e paqueram, sempre com uma bebida por perto ou um cigarro convencional e de maconha circulando pelo grupo de amigos. O território é livre. Um homem também vende doses de destilados no porta-malas de um carro. A maioria dos adolescentes paga com moedas.

Em Diadema, a equipe chegou à cidade perto das 23h e percebeu imensa maioria dos bares cumprindo a Lei Seca e abaixando as portas e colocando clientes para fora. Mas, na Praça da Moça, na região central, dezenas de jovens bebiam tranquilamente e alguns fumavam maconha. Mesmo com o carro da Guarda Civil Municipal por perto.

Em Mauá, os moradores das imediações da Avenida Portugal informaram que a situação está melhor após a proibição de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniência dos postos de abastecimento. Em um posto da Avenida Capitão João, altura do número 600, onde se reuniam centenas de jovens, na última sexta-feira eram poucos que usavam o espaço como ponto de encontro. Mas, entre esses, via-se que também portavam garrafas de bebidas dentro dos carros e saím em alta velocidade.

Em Santo André, também ocorre o tradicional esquenta nas imediações de uma casa noturna, no Centro da cidade. Na Avenida Arthur de Queiroz, as barraquinhas abastecem os jovens que preferem entrar para os shows de forró e funk, “daquele jeito”, como eles próprios gostam de falar.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)