Mais 15 municípios receberão terapias de grupo para tratamento de fumantes

Pernambuco.com
Implantado desde 2005 no Recife, o acompanhamento intensivo de fumantes, por meio de terapias de grupo semelhantes às utilizadas em grupos de apoio como os Alcoolicos Anônimos (AA), vem ganhando força no estado.

Profissionais de saúde da região do Agreste, na qual se destaca Garanhuns, participam nesta segunda e terça-feira (24 e 25) de uma capacitação, no Hotel Canários, no bairro de Boa Viagem, no Recife. A ideia é levar este tipo de tratamento, sem a necessidade direta de medicamentos, a mais dependentes pernambucanos.

De acordo com a Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), um total de 15,1% dos brasileiros são fumantes. Em Pernambuco, esse índice é um pouco menor, 13%, mas segue a tendência nacional de ter mais adeptos homens que mulheres. Para combater o crescimento desse número, a Secretaria de Saúde do estado busca unir a capacitação profissional à disponibilização de tratamentos acessíveis.

As terapias em grupo já são realizadas em 61 cidades, o que corresponde a um terço de todos os distritos pernambucanos. Para participar, basta buscar ajuda em uma unidade básica de saúde e demonstrar o interesse em deixar de fumar, pré-requisito mínimo para participar dos grupos. O tempo de espera médio em uma cidade como Recife é de até 3 meses, até que um grupo, de no mínimo 15 participantes seja criado. A partir de então, os encontros discutem os motivos que levam o usuário a fumar e como sair do vício, com reuniões semanais no primeiro mês, quinzenais, no segundo, e, então, mensais até completar um ano de programa.

Segundo a coordenadora do Controle de Tabagismo da Secretaria de Saúde, Graça Maciel, medicações somente são indicadas em caso de pacientes que apresentem problemas de abstinência, como insônia crônica ou irritabilidade constante. “Fora esse, não há tantos custos diretos. Para se ter uma ideia, tratar um paciente com câncer de pulmão decorrente do fumo custa dez vezes mais que todo o tratamento de cada participante durante um ano”, estima.

O programa também exibe bons índices de sucesso. De acordo com o Ministério da Saúde, este tipo de acompanhamento terapêutico, auxiliado somente pela troca de experiências, tem um índice de sucesso de 30%. Em Pernambuco, como um todo, o índice ainda não foi aferido, mas no Recife, estima-se que metade dos pacientes deixem de fumar após um ano de tratamento.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)