Usuários de drogas deixam tratamento no começo

Diário de Maringá
Pelo menos 63% dos usuários de drogas atendidos em setembro pela Diretoria de Programas sobre Drogas da Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Maringá fugiram dos locais de tratamento nos primeiros dias.

Do restante, 74% abandonaram o tratamento nos primeiros 3 meses. “E estas são pessoas que nos procuraram e pediram para fazer tratamento”, explica o secretário Ulysses Maia, confessando não saber exatamente quantos usuários de drogas há na cidade.

“Como o tratamento não é obrigatório, a situação é muito complicada. O índice de pessoas que procuraram o atendimento é alto, mas há uma parcela muito maior de usuários que sequer aceitam o tratamento. Em muitos casos, a gente percebe que a mente já não funciona e a pessoa não consegue entender que a gente está oferecendo uma ajuda”, diz Maia.

Para o secretário, uma das soluções seria a internação involuntária, como vem sendo feito no Rio de Janeiro. “O problema é que, além de ser uma situação polêmica, não é legal. Há uma discussão nacional em torno disso, mas eu vejo como a única forma de tratar essas pessoas que já não tem mais condições de discernir se o tratamento é bom ou não”, defende Maia.

O secretário diz ainda que é preciso levar em conta o problema enfrentado pelas famílias. “Mais de 40% dos que estão em tratamento foram encaminhados pela família. Recebo diariamente mães desesperadas, pedindo para internar o filho. Mas ele tem que querer, não tenho saída. Não posso fazer nada.”

Diante do impasse, Ulysses Maia lembra que o caminho é a prevenção e a ação policial para evitar o tráfico. “Temos que ocupar o tempo de crianças e adolescentes, para afastá-los das drogas. E aumentar a ação policial. O aumento de apreensão afeta o consumo, dificulta o acesso. Quanto mais dificultarmos esse acesso, teremos mais oportunidade de atender os que querem fazer o tratamento.”

A Prefeitura de Maringá tem convênio com sete entidades, que recebem recursos do município e tem vagas abertas constantemente para usuários de todos os tipos de drogas.

Há ainda o Centro de Atendimento Psicossocial – Álcool e Drogas – da Secretaria Municipal da Saúde, e a administração mantém vagas para internamento no Hospital Municipal (para casos de surto) e leitos no Hospital Psiquiátrico.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)