Projeto de Lei proíbe descarte dos filtros de cigarro

Ao caminhar pelas ruas não é difícil encontrar lixo pelo chão e, em meio a ele, o filtro de cigarro. Para coibir esta ação, está tramitando na Câmara de Vereadores do Recife um Projeto de Lei que proíbe o cidadão de jogar a o filtro dos cigarros na rua. O autor, o vereador Erivaldo da Silva (PTC), diz que, segundo dados da Aliança de Controle ao Tabagismo no Brasil (ACTBR), são descartados por dia aproximadamente cinco mil toneladas do produto no mundo.

Mesmo já existindo leis que proíbem as pessoas de sujar as ruas, Silva ressalta que sua proposição tem grande importância. “Parece insignificante, mas a bituca (filtro) de cigarro é o lixo mais comum no planeta. Está presente em todos os lugares, nas ruas, nos parques, nos gramados, nas matas e florestas, nas linhas d′água, nas canaletas, nas galerias de água pluviais e esgotos, nos canais, nos rios, na
areia da praia e água do mar. É um problema sério e preocupante”, argumenta. De acordo com ele, o número se tornou maior depois da lei-antifumo. “Com a proibição de fumar em ambientes fechados, as ruas se encheram de bitucas de cigarros, que são levadas pelas chuvas para canaletas, galerias, canais e rios, poluindo tudo, até mesmo nossos mananciais”, afirmou.

Além disso, sua proposta visa a colocação de lixeiras específicas para as pontas de cigarro. Elas seriam uma forma de evitar que os fumantes deem desculpas. O vereador também acredita que seu projeto irá prevenir, inclusive, incêndios. “Ao descartar um toco de cigarro acesa em algum lugar que a brasa possa se propagar, isso pode gerar incêndios”, concluiu. A instalação caberia ao Poder Público Municipal.

O segurança Roberto Félix, 52 anos, não é fumante e gostou do projeto. Entretanto, diz que deveria ser mais rigoroso com a classe alta, alegando que são os maiores usuários de cigarro. “A ideia é boa, mas ele deve se preocupar mais com os que são mais ricos. Já fui segurança de muitos e o que mais via era eles jogarem no chão. E olhe que não fumam pouco, viu?”, sugeriu. Félix também comentou que a lei antifumo não é respeitada. “Estou cansado de ser incomodado por pessoas que fumam em dentro de locais fechados. Até parece que não existe lei”, explicou.

Contrária à ideia do vereador, a doméstica Maria José Donato, 45 anos, questionou a seriedade do projeto. “Vou jogar o lixo onde? Vão colocar as lixeiras exclusivas como, se a gente procura uma para por um saco de pipoca e não encontra? Imagine uma só para cigarro. Eu acho que é balaca (SIC)”, opinou. Ela reconhece que não é uma atitude cidadã, mas comentou que está longe de corrigir o hábito adquirido. Concordando com a doméstica no aspecto da falta de educação dos fumantes, o autônomo Otonni Tavares, 59 anos, mas admite que joga em qualquer lugar, mas acredita que a proposta pode ser boa.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde