Alckmin diz que ´lei é para todos` ao comentar ocupação de alunos na USP

Governador de SP falou em evento nesta sexta-feira (28) sobre confronto .
´Ninguém tolera nenhum abuso`, disse Alckmin sobre o episódio.
Letícia Macedo
Do G1 SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse na manhã desta sexta-feira (28) que “a lei é para todos” ao comentar o confronto entre estudantes e policiais militares na noite desta quinta-feira (27) no campus da Universidade de São Paulo (USP). “Ninguém está acima da lei”, afirmou, durante visita a um congresso.

“A respeito desse episódio, vai ser apurado, como sempre é feito na polícia. Ninguém tolera nenhum abuso. Agora, não tem nenhum estudante ferido e nós tivemos policial ferido e várias viaturas danificadas”, declarou o governador. Seis veículos das polícias Civil e Militar foram danificados durante a manifestação, de acordo com o boletim de ocorrência registrado na Central de Flagrantes da 3ª Seccional.

Depois do tumulto, os estudantes decidiram ocupar o prédio da sede administrativa da Faculdade de Filosofia, História e Geografia da (FFLCH) e seguiam dentro do prédio até esta tarde para pedir a suspensão do acordo da universidade com a Polícia Militar, que passou a garantir a segurança dentro do campus. Nesta manhã, o movimento divulgou uma nota dizendo que dará continuidade à ocupação até a suspensão do convênio da universidade com a PM. Eles também querem a retirada de “todos processos criminais e administrativos contra os estudantes, professores e funcionários”.

Um porta-voz do movimento conversou rapidamente com a imprensa, por volta do meio-dia, mas não informou quantos manifestantes se encontram dentro do prédio. Segundo Leandro Salvatico, de 30 anos, estudante de engenharia, o clima dentro da sede é “muito bom”. De acordo com Alckmin, a decisão de permitir a presença da PM no campus é uma decisão da universidade. “A PM está lá de maneira pacífica.”

Conflito
A confusão começou quando policiais detiveram três jovens por porte de maconha na Cidade Universitária, na Zona Oeste. Os alunos foram detidos por volta das 19h por policiais militares. Segundo a PM, eles estavam próximos a um carro, onde foi encontrada uma porção da droga. No momento em que os policiais foram levar o trio para o 91º DP, para registrar a ocorrência, estudantes das faculdades os impediram. Os três, então, foram levados pelos colegas até um dos prédios.

Quando finalmente os alunos eram conduzidos para a delegacia, os estudantes cercaram o carro da Polícia Civil. Houve bate-boca. Segundo a polícia, alunos jogaram um cavalete de trânsito em cima dos policiais, que reagiram com golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo. Estudantes começaram, então, a jogar pedras e dar chutes nos PMs.

Ainda de acordo com a nota, esta não é a primeira vez que a PM entra no campus para reprimir os estudantes. “Trata-se de mais uma demonstração da política de repressão que vem sendo imposta na faculdade pelo reitor João Grandino Rodas.”
Nesta sexta, a situação era calma no local, mas estudantes pediram a saída da imprensa. Como é Dia do Funcionário Público, não havia movimentação de alunos e professores.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas