Desrespeito às leis secas

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Filósofo Platão já condenava, com grande sabedoria, a bebida alcoólica entre os jovens. Ele dizia “que não se pode colocar fogo no fogo”. Depois de 2.300 anos das observações do filósofo grego, o tempo passou, mas parece que, nesse aspecto, a humanidade pouco evoluiu.

O consumo de álcool pelos jovens continua alarmante, como enfatizam três recortes de uma recente pesquisa do Ibope.

Metade confessa que é levada a beber por influência dos amigos. O pior: a família é a segunda maior responsável por esse pernicioso consumo. E, tão grave quanto, 18% dos adolescentes de 12 a 17 anos bebem regularmente. Dados preocupantes para essa questão não faltam, pipocando de fontes confiáveis. Segundo o Centro de Referência em Tratamento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), por exemplo, 80% dos pacientes diagnosticados como alcoólatras tomaram o primeiro gole com menos de 18 anos.

O poder público tenta, há tempo, mas sem muito sucesso, coibir o acesso das bebidas alcoólicas pelo jovem. Recentemente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou a Lei Antiálcool, que responsabiliza donos de postos, bares e restaurantes caso menores de idade sejam flagrados bebendo nos respectivos estabelecimentos. Na verdade, é uma tentativa de tornar outra lei antiga – que proíbe a venda de bebida alcoólica a menores – mais respeitada.

Vemos quase todos os dias, pelas ruas das cidades de qualquer porte, as conseqüências do desrespeito à lei, mostrando que ela será inócua se não houver um maior envolvimento de toda a sociedade. A começar pelas famílias, para que se evite a iniciação precoce às bebidas. Deve haver também uma fiscalização maior por parte das autoridades, dificultando o acesso do jovem ao álcool. E principalmente, como defendem autoridades e estudiosos, é preciso maior rigor da lei na punição aos crimes praticados sob influência do álcool.

Na vertente educativa, o CIEE em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) leva às universidades interessadas um seminário sobre drogas voltado à prevenção, com o objetivo de conscientizar e informar os estudantes sobre os riscos do consumo de drogas. Sempre com o alerta de que o álcool é um dos principais problemas relacionados às drogas, não só pelo mal que causa à saúde, mas como abertura do caminho para drogas mais pesadas.

Bebidas alcoólicas estão presentes em vários contextos sociais, desde a cervejinha do churrasco até o champanhe das festas mais formais. São vários os riscos da embriaguez, como acidentes e brigas, mas é o consumo constante que pode acarretar mais problemas para as pessoas, pois com o passar do tempo, o consumo constante altera a forma como o cérebro reage ao álcool. E aí, o grande perigo pode aparecer: a dependência, um problema tão sério, que precisa ser prevenido. Esse é um dos grandes alertas dos especialistas que ministram as palestras voltadas aos universitários. Um aviso de que não é bom colocar fogo no fogo.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)