Médica avalia que o volume de álcool que era permitido pelo CTB pode causar euforia

A decisão do Senado de tornar mais rigorosa a lei contra os motoristas que dirigirem alcoolizados tem base médica, segundo especialista ouvida pelo G1. O texto aprovado nesta quarta-feira (9) propõe tolerância zero contra a bebida. Atualmente, é permitido dirigir com até 6 decigramas de álcool por litro (dg/l) de sangue.

“A pessoa com essa quantidade fica eufórica, não porque o álcool seja estimulante, ele não é, mas sim porque ele inibe a crítica. A pessoa já não tem muita capacidade de decisão. No trânsito, isso é prejudicial”, avalia a Marta Jezierski, diretora do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), ligado ao governo estadual de São Paulo.

A médica psiquiatra diz ainda que a desinibição provocada pelo álcool pode levar a condutas de risco. Além disso, esse volume já provoca uma lentidão nos reflexos. O motorista “demora uns milissegundos a mais para reagir”, o que é mais um fator de risco no trânsito.

Segundo Jezierski, a quantidade de dg/l é atingida com uma dose e meia de vodca ou uísque, três latas de cerveja ou três copos de vinho.

Após ingerir esse volume de álcool, um homem de 75 kg leva entre quatro e cinco horas para voltar ao nível zero, que será adotado como padrão. Contudo, ela ressalta que o tempo varia muito de pessoa para pessoa, sendo o sexo e o peso os principais fatores.

O projeto de lei diz ainda que, caso o motorista se recuse a soprar o bafômetro, o policial poderá usar sua própria avaliação para determinar se há ou não embriaguez. Jezierski diz que a medida é correta do ponto de vista médico.

“A prova testemunhal não induz ao erro. O policial sabe fazer os testes e isso pode ser considerado”, afirma a especialista.
Autor: Tadeu Meniconi
OBID Fonte: G1