Adolescentes abraçam causa da prevenção

Jornal da Manhã
Ontem foi a culminância do desenvolvimento de trabalhos sobre saúde preventiva nas escolas da rede estadual. Projetos (federal e estadual), com propostas semelhantes, têm sido aplicados anualmente através da Secretaria Municipal da Saúde.

Secretaria Municipal da Saúde está inserida nas escolas há vários anos em busca das crianças e adolescentes. No entanto, desde 2010 o formato de trabalho foi renovado, com enfoque nos grêmios estudantis. “Deixamos os moldes de palestras, de trabalhos avulsos que acabam se perdendo no contexto geral, para uma ação permanente”, informou a coordenadora do SAE (Serviço de Assistência Especializada) da Saúde Municipal, Eliziane Aparecida de Oliveira.

De acordo com Oliveira a Saúde enxergou os grêmios estudantis como elos de ligação entre os serviços da rede e os alunos. As vantagens são a possibilidade de um trabalho permanente e a mensagem de saúde preventiva sendo mais absorvida, por ser transmitida por jovens que “falam a mesma língua e com o qual as crianças e adolescentes se identificam mais”.

“Os grêmios desenvolvem projetos diferentes que envolvem mais os alunos e durante o ano inteiro. Preparamos esses estudantes para isso. Não poderíamos deslocar profissionais da assistência em saúde para as escolas todo o tempo”, mencionou a coordenadora do SAE.
Outra vantagem percebida pela Saúde em trabalhar temas relacionados à saúde preventiva por meio de grêmios estudantis foi o mapeamento das prioridades pela própria escola. “Não escolhemos mais um tema e o levamos pronto para dentro da escola. A escola é que nos traz os assuntos que precisa mais de abordagem. Fornecemos oficinas para capacitar os grêmios no desenvolvimento do trabalho, além de darmos suporte, esclarecermos dúvidas e fornecermos os materiais”, contou Oliveira.

A enfermeira Zeila Togashi, também do SAE e CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) frisou o aumento recentemente de casos de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), o que impulsionou a intensificação do trabalho de saúde preventiva dentro da rede de ensino. “Precisamos chegar aos jovens de 13 a 19 anos e eles não estão nas unidades de saúde. Estão nas escolas”.

Desde a primeira notificação de contaminação de HIV no município, em 1985, Marília totaliza 1.676 casos (até setembro deste ano). Desse total, 40% compreende a faixa etária de dez a 29 anos.

As profissionais de saúde afirmaram que os primeiros ganhos começaram a a ser percebidos na coletividade, com uma mudança geral e gradativa de postura dos adolescentes. Segundo informaram, eles têm demonstrado mais interesse na busca por testes de HIV, informações em serviços de saúde e participação em campanhas junto à comunidade.
Além das doenças sexualmente transmissíveis, álcool, drogas, gravidez precoce e diversidade sexual são assuntos em pauta ao longo do ano. Os temas estão inseridos em três projetos: Saúde e Prevenção nas Escolas (do governo federal) e Prevenção também se Ensina e Comunidade Presente, ambos do Estado.

Metade das escolas estaduais estava representada na mostra de trabalhos de ontem, na EE Antonio Reginato, e a outra metade estará na de hoje, na EE José Alfredo de Almeida. Trata-se do 2º Encontro com Grêmios dos três projetos.
A coordenadora pedagógica da Escola Estadual Edson Vianei Alves, no bairro Palmital, Rosinha Lourenço das Neves, ressaltou que os alunos têm se envolvido significativamente nas atividades relacionadas aos projetos e que vêm amadurecendo sua postura diante dessas causas. “Os grêmios estão comprometidos com o trabalho e também em dar exemplo. Por sua vez, os demais alunos encontram jovens semelhantes a eles à frente da causa e acabam seguindo esse exemplo”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)