Conselho Tutelar: 83% dos atendimentos são por drogas e álcool

EPTV
O Conselho Tutelar de Barretos tem registrado um alto índice de uso de drogas e álcool entre menores no município.

Segundo dados reunidos nos últimos três meses, 83% de todos os atendimentos registrados pelo órgão, envolvendo adolescentes entre 14 e 16 anos, estão ligados ao uso de entorpecentes e bebidas etílicas.

“Hoje a cada 40 atendimentos que nós fazemos, 33 são casos de álcool e droga dentro do município. Nós tambem temos notado um aumento no uso de cocaína”, relata o vice-presidente do Conselho, Ewerton Roberto.

Segundo o conselheiro, estão sendo feitas blitz em festas para tentar coibir o uso de entorpecentes e bebidas alcoólicas entre os jovens. As ações têm o apoio do Ministério Público e do Juizado da Infância e Juventude. No dia 11, uma sexta-feira, nove adolescentes foram pegos bebendo em uma casa noturna. Eles foram levados para a delegacia e os pais chamados.

“Mães e pais procuram o conselho tutelar pedindo ajuda para tirar os filhos das drogas. Muitos usuários acabam também virando vendedores”, conta Ewerton. Segundo ele, quando há interesse da família e do jovem e após atestado por um médico a necessidade da internação do adolescente, o Conselho tem conseguido 100% de encaminhamento para uma clinica de reabilitação.

São 42 adolescentes de Barretos internados atualmente e, segundo o conselho, estão previstas mais dez internações até o final de novembro. Os menores são encaminhados para uma instituição na cidade de Artur Nogueira, onde ficam por pelo menos seis meses. Eles recebem atendimento médico e psicológico e são visitados pelos pais. O tratamento é custeado pela Secretaria de Saúde municipal.

Apesar dos dados sobre as internações, o órgão ainda não conseguiu levantar quantos desses jovens, que passaram pela reabilitação, deixaram de vez o vício. Ewerton reclama da falta de conselheiros na cidade. São apenas cinco para atender a demanda de um município com cerca de 120 mil habitantes, sendo 14 mil menores de idade.

Para Ewerton, a cidade precisa de mais um conselho. “É um problema social. Eu tenho que ser padre, pastor, psicólogo, reatar casamento. O papel do conselho é encaminhar”, conclui.

Segundo ele, o órgão está começando um mapeamento das ocorrências no município para traçar um plano de ação. O objetivo é criar campanhas de conscientização para o ano que vêm.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)