Benzodiazepínicos, a panacéia?

Jorge Figueiredo
As notícias sobre venda de benzodiazepínicos (BZs) revelavam estabilidade nas últimas décadas, mas a imprensa vem dando destaque ao recente aumento. “Venda de calmante dispara no Brasil”. Claudia Collucci, Folha de São Paulo, 16 e janeiro de 2011, pág. C10, entre muitos outras.

Desde sua descoberta, os BZs substituíram gradativamente os barbitúricos no tratamento da ansiedade e, depois dos anos 80, passaram a ser utilizados anualmente por 10 a 20% da população americana e por 10% da população brasileira (Bernik, 2010). Lembro aqui, que em 1963 foi sintetizado o diazepam que, com o nome de Valium, já era anunciado pela mídia dos anos 70 como a droga mais vendida no mundo.

O livro “Aspectos clínicos e farmacológicos dos tranquilizantes benzodiazepínicos” (EDIMÉDICA, 2010), escrito e editado pelo colega Márcio Bernik (coordenador do programa de ansiedade do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP) com a participação de colaboradores, traz uma visão abrangente dos 50 anos de utilização desta classe de substâncias, iniciada pelo Librium (clordiazepóxido), sua faixa, eficácia terapêutica e riscos que foram determinados nos diferentes diagnósticos através de ensaios clínicos controlados.

No livro, Bernik, Clarice Gorenstein, Fábio Corregiari, Ivan Mario Braun e outros colaboradores desaconselham o uso dos BZs em longo prazo, não só pelos efeitos colaterais mas também pelo risco de dependência, seguindo assim a orientação dos psiquiatras que ministram cursos pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e em congressos.

Considera que os BZs vêm sendo gradualmente substituídos pelos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), mas que os BZs ainda são uma boa escolha para o tratamento sintomático da ansiedade, especialmente aguda, reativa ou situacional e como terapia adjuvante no início do tratamento, além de muito usados nos pacientes gravemente sintomáticos ou refratários ao tratamento.

Helio Elkis escreveu um capítulo assinalando a utilidade dos BZs no tratamento dos sintomas agudos da esquizofrenia e outras psicoses, são úteis no controle rápido da agitação psicótica. Melhoram a ansiedade, a hostilidade, a irritabilidade e a insônia. Melhoram os sintomas psicóticos em alguns pacientes, melhoram os distúrbios motores como a catatonia, reduzem os efeitos colaterais dos neurolépticos (acatisia, tremor, sintomas extrapiramidais). Aliviam o estresse induzido pela exacerbação do quadro psicótico. Elkis também analisa o papel da dopamina, do glutamato e do GABA na esquizofrenia e as vias envolvidas. (Elkis, 2010).
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Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas