Workshop internacional sobre rotulagem de produtos de tabaco discute avanços na área

No dia 21, o INCA e o Ministério da Saúde do Canadá (Health Canada) promoveram o “Workshop Internacional sobre Embalagem e Rotulagem dos Produtos de Tabaco”. O evento foi realizado na sede do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS), no Rio de Janeiro, e teve a participação de representantes dos governos do Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, México e Canadá.

O objetivo da oficina foi contribuir para a elaboração de ações de controle do tabaco, por meio de conversas informais e troca de informação entre esses países. Foram expostos avanços, barreiras, oportunidades e lições aprendidas. Também foi aberta uma discussão para traçar novos rumos para o controle do tabaco, e foram abordadas questões sobre a necessidade de avaliação da utilização de imagens aversivas.

A técnica da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ), Cristina Perez, e a professora de Neurociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eliane Volchan, iniciaram a apresentação falando sobre o desenvolvimento e avaliações das advertências sanitárias brasileiras dos produtos de tabaco. Os principais temas expostos foram as linhas de abordagem das imagens nos maços de cigarros, as estatísticas dos impactos causados e os resultados alcançados após dez anos de abordagem aversiva.

Segundo Justino Regalado, do Ministério da Saúde mexicano, pesquisas revelaram que, no México, mulheres e não fumantes foram os mais impactados pelas imagens das embalagens de cigarro. “A foto de maior aversão foi a do aborto espontâneo”, contou. “No México, as novelas têm uma influência significativa na sociedade. Estamos estudando uma forma de usar esse veículo para levar os efeitos negativos do uso do tabaco à população”, disse o participante.

De acordo com Bert Dolcine, representante do Ministério da Saúde canadense, os textos de advertência sobre o tabaco no Canadá estão nas embalagens de cigarro desde 1989, em inglês e francês. “Em 2000, o país foi o primeiro do mundo a utilizar imagens impactantes. Após avaliação de pesquisas, foi possível perceber que histórias reais trazem resultados mais consistentes”, revelou. Segundo o canadense, mensagens curtas e novas são mais eficientes do que informações detalhadas. “É importante misturar frases negativas, de advertências sanitárias, com mensagens de encorajamento para abandonar os produtos de tabaco”, disse.

Tânia Cavalcante, secretária executiva da CONICQ, ressaltou a importância de se elaborar estratégias de controle do tabaco que incluam os jovens. “Uma possibilidade é trazer para debate assuntos relacionados ao cigarro e aos problemas causados ao meio ambiente”, sugeriu.

Dez anos de advertências sanitárias com imagens

Em 2001, os fabricantes e importadores de produtos de tabaco no Brasil foram obrigados por lei a inserirem advertências sanitárias ilustradas por fotos. O primeiro grupo de advertências abordava aspectos sociais e não exclusivamente relacionados à saúde. O segundo, continha imagens mais impactantes, com base em pesquisa telefônica realizada em 2003 pelo “Disque Saúde – Pare de Fumar”. Foram entrevistadas 89 mil pessoas e 90% afirmaram que desejavam imagens mais chocantes.

O terceiro e atual grupo de advertências foi elaborado em conjunto pelo INCA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Laboratório de Neurobiologia da UFRJ, Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Departamento de Artes & Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O objetivo foi causar aversividade aos produtos de tabaco entre jovens de 18 a 24 anos.

Em 2013, as advertências serão substituídas, já que o prazo de utilização do terceiro grupo é de cinco anos. A proposta é utilizar a frente da embalagem do cigarro, para facilitar a visualização das advertências, e incluir a cegueira como consequência negativa do uso do tabaco.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde