Avanço do crack na região satura o atendimento em Araraquara

Araraquara.com
Rede gratuita de tratamento a usuários do entorpecente é mais usada por pessoas de outras cidades, informa secretário

Por Marco Antonio dos Santos
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNB) demonstra que o consumo de crack não é só problema de grandes cidades. Na região de Araraquara, municípios como Américo Brasiliense, Boa Esperança do Sul, Ibitinga e Tabatinga têm alto índice de consumo, de acordo com dados divulgados no Mapa do Crack, elaborado pela CNB. Araraquara tem consumo médio, mas recebe o impacto de toda a região em sua rede de atendimento público para usuários de drogas mantida pela Prefeitura.O município é o único na região a oferecer tratamento gratuito. “Por causa disso, estamos recebendo cada dia mais pessoas de outros municípios.

Já teve ocasião em que não tínhamos vagas para cuidar de quem é de Araraquara”, reclama o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, José Carlos Porsani.Desde o ano passado, a secretaria custeia tratamento e transporte de usuários de drogas em clínicas da cidade e da região e também distribui cesta básica entre famílias de dependentes químicos.O secretário de Saúde de Rincão, Carlos Alberto Ferreira, admite o envio de usuários para tratamento em Araraquara. “Não temos recursos para cuidar, por isso, enviamos para o Hospital Cairbar [Schutel, em Araraquara].”Na região, as únicas cidades que estão com baixos índices de consumo de crack são Ibaté e Motuca.Mas o delegado da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), Gustavo Mayo, prevê o alastramento da droga. “Em todas as cidades, por menor que sejam, há traficantes”, afirma.

Para denunciar a falta de políticas públicas para tratamento de usuários de drogas, a Confederação Nacional dos Municípios enviou questionários para 4,4 mil cidades. Na região de Araraquara, o único governo que não respondeu foi a Prefeitura de Matão. O mapeamento está disponível para consulta pública no site da CNB (www.cnb.org.br/crack). A ideia é denunciar a falta de políticas públicas para combate às drogas e tratar os dependentes químicos.

300
É a quantidade média de pessoas que procuram por mês a rede pública de tratamento contra a dependência de drogas em Araraquara

Análise

Faltam ações contra o crack
O Mapa do Crack, feito pela Confederação Nacional dos Municípios, apenas ilustra o que a gente já vem avisando há muito tempo. A droga não é mais coisa só de cidade grande. Está forte nos pequenos municípios, mas as prefeituras nem sempre estão atentas.Muita coisa é aprovada em lei, mas, em geral, pouca coisa é colocada em prática. Falta envolvimento da sociedade e dos governos para entender que o combate à droga não é só obrigação das polícias, mas tem de começar com ações preventivas. Existem cursos de capacitação de agentes de prevenção. Mas é preciso que cada cidade crie estrutura de atendimento, para que o tratamento do usuário ocorra perto da família, para que todos participem da recuperação e ajudem na reintegração social do ex-dependente.
Marcio William Servino
Presidente do Conselho Municipal Antidrogas
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas