Alexandre Garcia: ´Hoje a direção é agressiva e movida à bebida alcoólica`

Jornal Bom Dia Brasil
´É preciso conhecer o carro, cada barulho, cada ponto fraco e ter as rodas na ponta dos dedos. É preciso sentir o carro`, diz o comentarista.

A Polícia Rodoviária Federal reforçou a fiscalização nas estradas, mas contra a imprudência só a conscientização funciona. O álcool, ainda que em pouca quantidade, atrasa os reflexos e deixa o motorista supervalorizando suas habilidades ao volante. Aí é pé no fogo.

Por falar em reflexo, é bom lembrar que leva uns cinco anos para o motorista adquirir movimentos não pensados, às vezes pondo as decisões lá na medula como, por exemplo, dar seta de mudança de direção sem precisar ordenar que a mão faça isso; como sair de uma derrapagem no reflexo ou desviar de um veículo desgovernado. Falo isso, porque há muita carteira de habilitação no Brasil com menos de cinco anos, e as autoridades notam que a inexperiência muitas vezes é causa de acidente que poderia ser evitado se houvesse habilidade ao volante.

Além disso, pistas mal feitas provocam acidentes. Ainda esse fim de semana um carro deslizou na água em Brasília. O motorista, um médico, desceu para esperar socorro e veio outro carro que também deslizou na água acumulada e o matou. Água, buracos e pistas mal desenhadas só acontecem em país que não respeita a vida.

Carro não é um ventilador que basta ligar na tomada, nem aprender a dirigir é apenas aquilo que a autoescola ensina para passar no exame do Detran. É preciso conhecer o carro, cada barulho, cada ponto fraco e ter as rodas na ponta dos dedos. É preciso sentir o carro, ter noção das leis físicas que comandam a trajetória do carro. Do contrário, é depender da sorte e dos outros daí a importância de uma direção defensiva.

Hoje a direção que se vê é agressiva, e muitas vezes movida à bebida alcoólica. Assim como Brasília deu exemplo de respeito à faixa de pedestre há 15 anos, hoje o Rio de Janeiro está sendo um modelo de aplicação da Lei Seca.

Os exemplos estão aí e as autoridades dos estados e municípios deveriam segui-los para diminuir a matança, que vai muito, mas muito além, dos números oficiais de 40 mil por ano.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas