Pesquisa diz que 47% dos usuários da Cracolândia querem tratamento

G1
Levantamento ouviu 170 dependentes na região central de São Paulo.Operação busca inibir tráfico, recuperar área e encaminhar pacientes

Uma pesquisa da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada nesta sexta-feira (6) revela que 47% dos usuários de drogas da Cracolândia, em São Paulo, aceitariam algum tratamento, se fosse oferecido, como mostra reportagem do Jornal Nacional.

Mais da metade dos 170 entrevistados consome a droga há mais de dez anos e um quarto deles fuma mais de 20 pedras por dia. Isso significa que eles passam o tempo todo entre a alucinação e as crises da abstinência.

A Prefeitura de São Paulo e a Polícia Militar executam uma operação na região desde terça-feira (3) para coibir o tráfico, encaminhar dependentes para tratamento e recuperar áreas degradadas. A expectativa é que, sem a droga, os dependentes busquem ajuda.

“Como é que você consegue o tratamento de um dependente químico? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca uma ajuda para uma dependência química é quando não suporta mais aquela situação que ele está vivendo”, diz Luiz Alberto Chaves de Oliveira, da Coordenadoria de Atenção às Drogas.

A pesquisa revela que a maioria dos usuários (65%) começou a fumar crack antes dos 18 anos. Mais da metade (59%) diz ter dinheiro para bancar o vício, mas parte admitiu roubar (13%), prestar serviços a traficantes (13%) ou pedir esmolas (12%). Um em cada dez (11%) faz sexo em troca da droga. Cerca de 53% testemunharam mortes na Cracolândia. Quase um terço (29%) sofreu violência na região em dezembro. E 10% das mulheres foram vítimas de abuso sexual.

“Se por acaso ele quer ajuda, tem que ser na hora. Um lugar para ele chegar, comer alguma coisa, tomar um banho, que aumente o contato dele com os agentes de saúde. Disso a gente não dispõe ainda”, diz Marcelo Ribeiro, da Unifesp.

“Com certeza, com a redução da oferta de drogas, os agentes comunitários, as equipes da saúde na rua, terão muito mais recursos técnicos pra trabalhar com essa população”, diz Rosângela Elias, da Coordenadoria de Saúde Mental da Prefeitura de São Paulo.

Funcionários da Prefeitura de São Paulo trabalhavam na tarde desta sexta-feira na remoção de entulho de um prédio na região da Cracolândia, no Centro. Paredes do edifício foram derrubadas pela administração municipal para facilitar a limpeza. Localizada na Rua Helvétia, a construção servia de abrigo para usuários de crack.

Três fases
A PM diz que a ação na Cracolândia é dividida em três fases. A primeira será de atuação da polícia contra o tráfico de drogas em conjunto com uma operação de zeladoria da Prefeitura em casarões e ruas.

A PM estima que dentro de 30 dias após a prisão de traficantes e o restabelecimento da ordem na região se inicie a segunda fase, com a participação de assistentes sociais e agentes de saúde, que farão o encaminhamento dos dependentes químicos para albergues, Assistência Médica Ambulatorial (Amas) e, se preciso, internação para tratamento e reinserção social.

Mapa

A terceira e última fase – considerada a mais difícil – é a de manutenção deste cenário, para que os dependentes possam se recuperar plenamente. A intensificação da Ação Centro Legal, iniciada há dois anos e meio, começou a ser planejada entre outubro e novembro de 2011, através de reuniões da PM com o governador Geraldo Alckmin, secretários estaduais, municipais e o prefeito Gilberto Kassab.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)