A luta contra o crack vai além da internação

Diário de São Paulo
Prefeitura dispõe de centros para acolher usuários de drogas e álcool que aparecem voluntariamente

Marcos Alexandre da Rocha, de 38 anos, desempregado e usuário de crack, já passou por quatro internações pelos CAPs (Centros de Atenção Psicossociais), estrutura municipal de recuperação de usuários de álcool e drogas. “Eu fui forçado pela minha família duas vezes. A terceira eu fui porque um agente de saúde me convenceu. A última, eu fui sozinho”, conta Rocha. Ele sempre retornou às ruas, após as breves passagens na tentativa de largar o vício. “Eu sinto vergonha, mas a fissura para usar a droga é mais forte”, diz.

“Esse processo é comum. São várias recaídas até que haja a recuperação”, explica Rosangela Elias, coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com Rosangela, 27 equipes trabalham ininterruptamente desde 2008 nas ruas da Cracolândia, independentemente do trabalho policial, abordando os usuários e tentando convencê-los a ir para um dos serviços de atendimento da Prefeitura, que pode culminar com a internação do viciado ou não. “Envolver a polícia quebraria o vínculo com o dependente químico”, observa.

“Após a primeira abordagem, os agentes de saúde tentam localizar os familiares do usuário e reinseri-lo, mas cada caso é único e o caminho para a recuperação é construído junto com a pessoa”, fala a coordenadora.

Segundo ela, a decisão de internação involuntária é rara. “É melhor quando a decisão parte da pessoa, mas é simples. Querendo, tudo o que a pessoa precisa é ir a um dos Centros de Atenção Psicossociais e falar com um agente de saúde. A partir daí, ela terá todo o apoio que precisar”, diz.

O atendimento a dependentes químicos da Prefeitura acontece nos 22 CAPs Álcool e Drogas. Para internação, a Secretaria da Saúde possui 1,2 mil leitos psiquiátricos em hospitais gerais, comunidades terapêuticas ou em sua clínica própria, o Said (Serviço de Atenção Integral ao Dependente).
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)