Pesquisa estuda uso de drogas através de análise de dados disponíveis na Internet

G1
Pesquisa revela aspectos sociais sobre drogas, principalmente o crack, através de análise de dados disponíveis na Internet. Encomendado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês, o estudo revela as motivações para o início e para o fim do consumo de drogas.

A ideia da pesquisa nasceu da necessidade de entender como as pessoas se comportam em relação às drogas, a partir da gestão que o Instituto faz de nove grupos de Estratégia de Saúde da Família (ESF), nos bairros do Humaitá, da Bela Vista, do Cambuci e proximidades de Santa Cecília, na região central de São Paulo. “Entender a forma como as pessoas estão se expressando com relação às drogas, é importante para que possamos aprender a nos relacionar com elas”, destaca Dr. Sérgio Zanetta, Superintendente Executivo do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL).

A estratégia utilizada para o estudo – realizada pelos pesquisadores Rodrigo Pazzini, Dárlinton Carvalho, Sérgio Rosa, Wilma Madeira e Sérgio Zanetta – foi buscar compreender o comportamento de grupos sociais e analisar as discussões que surgem de modo espontâneo, no ambiente informal das comunidades virtuais.

A pesquisa objetivou analisar relatos e percepções dos membros sobre o início do consumo de drogas, suas motivações e o discurso de pessoas que se submeteram a tratamentos pelo uso de drogas. Através disso, os pesquisadores buscaram identificar as potenciais oportunidades de atuação e aplicação de ferramentas e estratégias digitais para a solução de problemas. A análise qualitativa de uma comunidade virtual sobre crack identifica problemas enfrentados por dependentes e demais envolvidos (família e amigos), e revela a sua realidade através de uma compilação das discussões dos participantes da comunidade.

Cerca de 6 a 8% da população necessita de atendimento regular devido aos transtornos causados pelas drogas e álcool, seja o usuário ou o codependente. Quem acolhe primeiramente essas pessoas são os serviços básicos, como o Programa Saúde da Família e as AMAs e UBSs. Segundo o estudo, as comunidades virtuais facilitam a formação e o estabelecimento de uma rede de apoio perene entre pessoas que compartilham situações semelhantes, e trocam informações em um processo sem intermediários. Para alguns pesquisadores, esses processos implicam em uma nova forma de entender os cuidados com a saúde, enfatizando um aspecto mais colaborativo, aberto e participativo, no qual as fontes tradicionais (profissionais de saúde) não mais monopolizam o acesso às informações relevantes.

Na opinião de Zanetta, que também é médico sanitarista, para o agente de saúde se relacionar com as famílias atendidas e ajudá-las a enfrentar esse problema de saúde pública, é importante abastecê-lo de informações sobre as principais formas que levam os jovens a se iniciarem nas drogas. “De posse de toda essa informação, o agente pode, por exemplo, falar sobre o reforço de laços de família, que ajudam a diminuir a busca pela drogadição”, acrescenta. O estudo realizado pode ser usado como uma ferramenta de educação para esses agentes.

Ainda segundo Dr. Zanetta, “encontrar formas de capacitar o profissional de ESF para lidar com essas populações ainda é um desafio, mas é a melhor arma que possuímos. Já temos condições de reunir e informar hábitos da família relacionados ao tabagismo e etilismo. A posse dessas informações pode gerar políticas mais consistentes no futuro”.

Como conclusão, os realizadores dos estudos colocam que a aplicação de tecnologias de comunicação, e informação em saúde coletiva é um promissor tema de pesquisa. Esse cenário é fértil para o desenvolvimento de novas abordagens, por meio de ferramentas e aplicativos, cujo objetivo é fomentar uma melhora na forma como as pessoas colaboram, identificam potenciais amigos e colaboradores (rede de apoio), comunicam entre si e identificam informações que são relevantes para a promoção da saúde.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)