Aumenta internação particular por crack no interior de SP

Jornal Floripa
O número de usuários de crack tem crescido a cada ano entre as pessoas que buscam tratamento particular em comunidades terapêuticas na região de Ribeirão Preto (313 km de SP).

Em Araraquara (273 km de SP), o crack respondia no ano passado por 80% das 270 vagas ocupadas por dependentes químicos em sete comunidades terapêuticas. Em 2010, eram 60%, de acordo com estudo preliminar do Comad (Conselho Municipal Antidrogas).

Esse dado é apenas um dos indicadores da presença da droga na cidade, disse o presidente do Comad, Marcio Willian Servino. “Estamos falando apenas das pessoas que tiveram como pagar pelo tratamento. Imagine quem depende só da rede pública.”

Ainda vistas com restrição, comunidades terapêuticas são locais cuja internação dura em média nove meses, a um custo mensal que varia de R$ 340 a R$ 1.200 por paciente.

Muitas têm inspiração religiosa e recorrem à terapia de grupo e à laborterapia, como cuidar de uma horta.

Apesar da iniciativa, muitas comunidades estão irregulares. Em Ribeirão, só a comunidade Rarev, das cerca de 20 existentes, tem licença da Vigilância Sanitária local.

A informação foi dada pelo próprio órgão em junho do ano passado –a Vigilância não informou se houve mais licenças. Em Araraquara, das sete comunidades, cinco estão regulares, diz o Comad.

A realidade do Rarev, criado há 14 anos, confirma a expansão do crack. Hoje, de 40 internos, 70% tratam do vício do crack –dez anos atrás, o índice era 40%, segundo o presidente da comunidade, Gilberto Augusto Benedini de Oliveira.

DROGA BARATA

Na visão dele, a razão do crescimento do número de usuários de crack está na facilidade de adquirir a droga, além do preço baixo.

Essa facilidade foi sentida na prática por Roberto (nome fictício), 55. Incentivado pela filha, hoje ele recebe tratamento no Rarev.

Em quatro anos, o número de comunidades terapêuticas cresceu de quatro para as atuais 20, segundo o coordenador da Saúde Mental, Alexandre Firmo de Souza Cruz.

Na opinião dele, essa expansão se deve à falta de serviços da rede pública. “Na reforma [psiquiátrica do país], os leitos foram simplesmente fechados. Não se previu que o atendimento só em ambulatório, como nos Caps, não seria suficiente.”

Franca (400 km de SP) destoa do quadro. Nas quatro comunidades terapêuticas do município, a maioria dos pacientes é de dependentes de álcool.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)