País tem tribunais especiais para casos de drogas

Folha de São Paulo – DA ENVIADA A BALTIMORE
Um sistema de tribunais especiais para casos envolvendo drogas ajudou os EUA a estancarem a superlotação nas cadeias e a lidarem com aqueles que cometiam crimes e delitos não-violentos relacionados aos narcóticos de forma mais eficaz.

São as “drug courts”, tribunais da droga que se disseminaram nos anos 1990 com vistas à reabilitação por meio de uma abordagem menos confrontacional.

Submetidas ao sistema de Justiça comum, respondem no nível municipal e se multiplicam no país. A primeira nasceu em Miami, em 1989, logo seguida por Baltimore.

Nesses tribunais, os réus passam por uma triagem rigorosa e, se considerados aptos, são convidados a trocar a cadeia pelo tratamento de dois anos.

A vigilância é rigorosa. Em Baltimore, os primeiros seis meses são passados em casas da Recovery Network.

No primeiro mês o interno só pode deixar a casa em caso de emergência, mas depois saídas acompanhadas são permitidas.

Passado esse semestre, há controle por meio da análise clínica duas vezes por semana para checar se o paciente se manteve longe das drogas. Quem não segue o tratamento, porém, tem a pena revertida para prisão. Hoje há 2.232 “drug courts” nos 50 Estados dos EUA.

EX-USUÁRIOS

Empatia e motivação são pilares do programa de recuperação de dependentes em Baltimore, e uma das medidas mais eficazes nesses aspectos foi empregar ex-usuários no projeto.

“Recrutamos cem agentes de recuperação, colegas que estão ´limpos` em média há oito anos e farão 20 horas por semana de trabalho voluntário com dependentes”, diz Greg Warren, diretor do bSAS.

Os agentes operarão em hospitais, delegacias e nas ruas. A meta é atrair os que necessitam de tratamento, mostrando por meio de um recuperado que o sucesso é possível. “Queremos aproveitar os momentos de lucidez para motivá-los.”

Além do novo programa, clínicas e abrigos já contam com usuários recuperados nos quadros -em todos os níveis. Linda Bilmes, que administra um albergue emergencial, está “limpa” há 11 anos. Sua experiência a ajudou a arquitetar um atendimento melhor.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas