Para universidade, trabalho é pilar de tratamento de usuário

Folha de São Paulo – RAFAEL GARCIA
DE BALTIMORE
Um dos programas de Baltimore para tratamento de dependentes planeja dar um passo ousado neste ano.

Psicólogos da Universidade Johns Hopkins estão negociando com empresas da região para distribuir um remédio extremamente eficaz contra o vício: empregos.

Desde 1996, o Centro para Aprendizado e Saúde, dirigido pelo psicólogo Kenneth Silverman, oferece tratamento que incentiva dependentes de heroína e cocaína (injetável, inalada ou crack) a ficarem sóbrios por meio da relação com um ofício.

Com apoio dos NIH (Institutos Nacionais de Saúde), o pesquisador montou um núcleo de informática com 45 postos de trabalho onde os pacientes (a maioria deles desempregados) tentam reiniciar a vida.

Ao mesmo tempo em que passam por tratamento psiquiátrico contra a dependência física da heroína, prestam serviços a cientistas da universidade que precisam de ajuda para tabular dados.

Trabalham todo dia, batem cartão, e três vezes por semana fornecem amostra de urina para teste de drogas. Se der positivo, o pagamento por aquele dia é reduzido à metade. Após a recaída, o paciente pode voltar a trabalhar no dia seguinte, desde que o teste dê negativo então.

O estímulo financeiro para ficar sóbrio é o que move o programa, diz Silverman. Em um dos oito testes clínicos que o pesquisador realizou, 79% das amostras de urina dos pacientes durante um ano estavam limpas.

Quando oferecia emprego, mas não punia os usuários por recaídas, a eficácia caía para 50%. No centro, quem consegue ficar longe da droga por mais tempo chega a fazer US$ 1.000 por mês.

De acordo com Silverman, o desafio é conseguir manter esse sistema depois do encerramento dos testes clínicos bancados pelo NIH, pois a receita vinda do serviço de tabulação de dados é pequena.

Silverman, porém, convenceu três empresários locais a entrarem numa parceria com a universidade.

Se o NIH aprovar a ideia, os pacientes poderão se candidatar à vaga de emprego em construtora, em prestadora de serviços em saúde e até em empresa de segurança.

Contratados, continuarão sob monitoramento de testes de urina. “Resta provarmos se essa iniciativa vai conseguir se pagar no longo prazo”, diz Silverman. “Acho que vai.”
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas