Hábito de fumar diminui entre adolescentes que praticam esportes

Um dos maiores desafios de pais de adolescentes é tentar mantê-los longe de vícios, como o álcool e o cigarro, que muitas vezes são adquiridos por influência dos amigos. Porém, as atividades e os círculos de amizade também podem influenciar de um modo positivo: uma pesquisa feita pela Universidade do Sul da Califórnia (EUA), afirma que crianças que praticam esportes são menos propensas a começar a fumar do que as outras crianças.

Os pesquisadores questionaram 1.260 alunos, da sexta a oitava série na escola, sobre o seus hobbies favoritos e se já haviam fumado ou tido qualquer contato com cigarros. Todas as crianças eram da classe média e viviam em áreas urbanas.

Após analisar os resultados, os estudiosos descobriram que os adolescentes que não praticavam esportes tinham o dobro das chances de iniciar o vício do que aqueles que se dedicavam a essas atividades. No entanto, quando o aluno esportista tem amigos fumantes, as chances de ele experimentar um cigarro são maiores. Essa influência teve um impacto ainda maior em adolescentes do sexo feminino.

Para os autores, o resultado sugere que pessoas que praticam esportes tendem a ter hábitos mais saudáveis, incentivando o adolescente a seguir o mesmo curso. Eles acreditam que essas descobertas podem ser utilizadas em campanhas antifumo nas escolas, com incentivo ao esporte.

Descubra as substâncias do cigarro que são nocivas à saúde
O tabaco é mundialmente conhecido por seus malefícios. Segundo dados do censo 2010 do IBGE, 17,2% da população com idade superior a 15 anos consomem derivados de tabaco. Essa porcentagem equivale a aproximadamente 24,6 milhões de pessoas. Dentre os fumantes, 93% afirmavam saber que o cigarro causava doenças graves.

Mas, afinal, será que nós temos consciência de todos os malefícios que o cigarro pode causar a nossa saúde? Especialistas revelam quais são os efeitos devastadores que algumas das principais substâncias do cigarro pode causar no organismo.

Tudo que tem no cigarro faz mal?
Sim, sem qualquer exceção. De acordo com o pneumologista Alberto de Araújo, presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, não existe nenhum componente no cigarro que não seja nocivo a nossa saúde. “Alguns componentes nós sequer conhecemos”.

O médico afirma que já foram identificadas mais de 5 mil substâncias na fumaça do tabaco, dentre elas gases e partículas cancerígenas, agrotóxicos usados durante o plantio da folha de tabaco e que são mantidos no processo de ressecamento para a fabricação do cigarro, dentre outros. Antes de mais nada, é preciso entender que não existe limite seguro de consumo do tabaco. “Diferente do álcool, ele não pode ser consumido com moderação”, afirma Alberto.

A vilã mais popular
Quando se fala sobre cigarro e seus efeitos nocivos, logo pensamos na nicotina. Embora esteja longe de ser a única vilã presente no tabaco, ela é a principal agente causadora do vício.

Os especialistas afirmam que a nicotina consegue fazer em apenas 10 segundos todo o percurso por nosso corpo: ser inalada e absorvida pelo pulmão, entrar em nossa corrente sanguínea e desencadear um impacto cerebral, liberando substâncias que propiciam uma imensa sensação de prazer. “Essa rapidez de impacto cerebral só é comparada com a cocaína”, conta Alberto.

O vício começa justamente quando a nicotina se liga aos receptores do nosso sistema nervoso, desencadeando a liberação de diversas substâncias, como dopamina, que dão a sensação de prazer, melhoram da memória, deixam a pessoa mai alerta, tiram o apetite, entre outros. Esses sintomas são os que a pneumologista Maria Vera Castellano, membro da Sociedade Paulista de Pneumologia, chama de reforço positivo.

Porém, quando o nível de nicotina no sangue cai, isso mais ou menos umas duas horas depois do primeiro cigarro, a pessoa sente falta desse reforço positivo e tem uma crise de abstinência. Os sintomas relacionados à abstinência, ou reforço negativo, são irritação, nervosismo, dor de estômago, insônia e aumento do apetite.

“A dependência se dá pela alternação do reforço positivo com o negativo”, diz a pneumologista. Quando o fumante sofre uma crise de abstinência, procura fumar outro cigarro para sentir novamente o reforço positivo. E assim se inicia o ciclo vicioso.

As doenças relacionadas à nicotina são: aumento do ritmo cardíaco, infarto agudo do miocárdio, derrame cerebral, angina, elevação do colesterol ruim (LDL), menopausa precoce, gastrite, úlcera gástrica, enfisema pulmonar, bronquite crônica, doença obstrutiva arterial periférica, tromboangeite obliterante, obstrução progressiva das artérias que pode culminar em amputação, além dos sintomas agudos como irritações nasais, na garganta e nos olhos, tonturas e dor de cabeça.

Cigarros mentolados são mais ou menos vilões?
Os cigarros ditos mentolados são aqueles que possuem sabor, como menta e cravo. Muito popular entre adolescentes por ter um gosto mais doce do que os cigarros normais, os mentolados costumam ser o primeiro cigarro e porta para o vício de diversos jovens.

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Medicina e Odontologia de New Jersey, nos Estados Unidos, sugere que os cigarros mentolados fazem com que a pessoa tenha mais dificuldade para largar o vício. E isso se dá justamente por seu gosto refrescante, que mascara o amargo da nicotina e alcatrão.

A pesquisa revela ainda que as pessoas que fumam cigarros mentolados tendem a fumar menos cigarros por dia, porém, tragam mais profundamente, ficando assim expostas às mesmas quantidades de substâncias nocivas.

Segundo dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o número de marcas de cigarros com sabor já representa 22% dos tipos à venda.Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Câncer aponta que 45% dos fumantes de 13 a 15 anos consomem os tais cigarros com sabor.

O presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia afirma que os aditivos presentes no cigarro mentolado não amenizam o efeito nocivo do tabaco, porém ainda não é possível medir as consequências do consumo desses aditivos. “Não sabemos como esses produtos são adicionados ao tabaco, já que é uma informação confidencial. Por isso é difícil dizer quais são as consequências da ingestão dessas substâncias”, afirma.
Autor:
OBID Fonte: Minha Vida