Anvisa adia para março votação de proibição de cigarros com sabor

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “chegou a um consenso” sobre a proibição de aditivos como mentol e cravo nos cigarros comercializados no Brasil, em reunião nesta terça-feira (14). A votação que decide a proibição de fato, no entanto, foi adiada para a próxima reunião da Diretoria Colegiada, em março.

Se a votação seguir o consenso da diretoria, os fabricantes terão até 18 meses a partir da publicação da norma para tirar do mercado nacional os aditivos que tornam o sabor do tabaco mais agradável, como mentol, canela e cravo. Também podem ser proibidas outras substâncias, que servem para aumentar o efeito da nicotina no organismo, como o acetaldeído, o ácido levulínico, a teobromina , a gama–valerolactona e a amônia. A nicotina é a substância que causa o vício no cigarro.

A discussão já se encaminhava para a votação, quando o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, afirmou querer mais detalhes sobre o uso do açúcar como aditivo no cigarro. Segundo o texto que seria votado, o açúcar não seria proibido imediatamente e poderia continuar sendo usado como forma de disfarçar o sabor ruim do tabaco por pelo menos um ano.

Barbano, no entanto, disse querer mais detalhes sobre o impacto do açúcar. “Eu, de fato, gostaria muito que esse tema do açúcar pudesse ser melhor debatido”, disse Barbano

Aditivos
Na avaliação da Anvisa, os sabores são uma estratégia da indústria do tabaco para deixar o produto mais atraente e conquistar novos fumantes entre os jovens.

“A resolução terá impacto direto em uma das principais estratégias da indústria para incentivar que jovens comecem a fumar, já que a adição de substâncias, como mentol, cravo e canela, mascara o gosto ruim da nicotina e torna o tabaco um produto mais atraente para esse público”, afirmou, em nota, o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.

De acordo com dados da Anvisa, entre 2007 e 2010, o número de marcas de cigarro com sabor cresceu de 21 para 40.

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) – que representa o setor no Brasil, com exceção dos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo – argumenta que não há comprovação científica de que os aditivos façam mal à saúde e diz que nenhum outro país proibiu o produto.

Durante a reunião, os diretores da Anvisa concordaram que os aditivos não agregam problemas além dos que o cigarro já tem por si só, mas citaram estudos que comprovam a função que eles têm de atrair fumantes. “A questão dos aditivos é a atratividade. Nada mais nada menos que a atratividade”, enfatizou Agenor Álvares durante a reunião.

Fim do “light”
Além dos aditivos, a Anvisa quer também proibir o uso de expressões que possam “induzir o consumidor a uma interpretação equivocada” sobre os males do fumo. Por exemplo: “light”, “ultra baixo”, “soft”, “leve”, entre outros. Nas embalagens, esses termos já estão proibidos desde 2001.
Autor:
OBID Fonte: G1