Anvisa quer proibir cigarros com sabor

Diário de Cuiabá
O comércio de cigarro com sabor deve ser proibido em breve.

Disponível no mercado nas versões menta, cravo e canela, os sabores são vistos como estratégia da indústria para disfarçar o gosto ruim do tabaco e assim conquistar novos fumantes.

Também devem ser excluídas as classificações “light”, “ultra-baixo”, “soft” e “leve”, impressas nas embalagens. Essas citações estão sendo vistas como estratégia para induzir o consumidor a uma interpretação equivocada sobre os males do fumo.

Esta semana, em reunião que aconteceu em Brasília, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a um consenso sobre a proibição desses aditivos, mas adiou a votação para o próximo encontro, previsto para março.

Pelo que já foi discutido, o mais provável é que os fabricantes ganhem um prazo, 18 meses seria a proposta, a partir da publicação da norma, para tirar do mercado nacional os aditivos que tornam o sabor do tabaco mais agradável.

Também podem ser proibidas outras substâncias que serviriam para aumentar o efeito da nicotina no organismo.

Em Cuiabá, os cigarros saborizados podem ser encontrados em lojas de conveniência, bares, boates e, principalmente, no Shopping Popular (dos camelôs). No comércio formal, um maço com 20 cigarros desses não sai por menos de R$ 4,50. Já no informal, produto similar está sendo vendido unitariamente por R$ 3,30 (ou R$ 33 um pacote com 10 maços).

O universitário Carlos Alberto Luz de Oliveira, 20 anos, que fuma desde os 17, diz que começou usando cigarros com sabor, oferecido por colegas da escola. Depois, quando já estava dependente, passou a consumir o produto tradicional. O uso do saborizado, diz, passou a ser eventual.

O médico pneumologista Clóvis Botelho destaca que os aditivos – canela, cravo e menta, por exemplo, não fazem mal à saúde. Entretanto, assinala, funciona como atrativo na iniciação ao tabagismo, especialmente entre os jovens.

Botelho alerta que sabores não diminuem a quantidade de nicotina e tampouco amenizam os efeitos desse produto no cérebro, pulmão e outros órgãos.

“Gosto adocicado faz com que o fumante considere o cigarro mais fraco em nicotina, mas isso é pura enganação”, avisa o especialista.

Clóvis Botelho assinala que os malefícios do cigarro são os mesmos, independentemente dos disfarces utilizados pela indústria do tabaco.

“Querem apenas atrair novos fumantes, uma maneira de tentar recuperar as perdas decorrentes das campanhas e mobilizações contra o cigarro”, completa.

De acordo com dados da Anvisa, entre 2007 e 2010 o número de marcas de cigarro com sabor cresceu de 21 para 40.

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), que representa o setor no Brasil com exceção dos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, argumenta que não há comprovação científica de que os aditivos façam mal à saúde e diz que nenhum outro país proibiu o produto.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)