Mais uma tentativa de recuperação de dependentes químicos

Diário da Manhã
Projeto pretende instalar centro de recuperação de dependentes químicos no bairro Petrópolis. Atendimento seria voltado para adolescentes.

Várias já foram às tentativas de grupos de pessoas interessadas em criar centros de apoio para recuperar dependentes químicos, principalmente usuários de drogas. A última delas, da Maanaim, pretendia abrir um espaço onde funcionava o antigo prédio da Defrec, próximo ao Hospital Municipal. O projeto não seguiu adiante por falta de apoio.

Agora, outro projeto, que conta com apoio da Igreja Luterana da Renovação, pretende disponibilizar para Passo Fundo um Centro de Tratamento de Dependentes Químicos, voltado para um público que representa maior demanda, o de crianças e adolescentes. A ideia é ter um espaço multidisciplinar, disponibilizando um tratamento adequado.

A igreja irá disponibilizar o espaço, que fica em um prédio no Sétimo Céu, na Petrópolis. O local já funcionou como boate e irá passar por reforma. O prédio conta com amplo espaço na parte superior e na área debaixo, onde ficarão os quartos, a cozinha e a dispensa.
Segundo o coordenador do projeto, Pastor Cidinei Nunes, para que isso dê certo é preciso o envolvimento, tanto da comunidade quanto do poder público. “Nós estamos cedendo o espaço, mas é preciso que haja o empenho de todos, para que o projeto dê certo, nosso papel será de acolher essas pessoas”, explica o pastor.

A intenção é fazer com que o tratamento possa ser gratuito, já que muitos desses jovens não têm condições de pagar por uma clínica particular. “É necessário ter um trabalho desses, Passo Fundo está carente disso, então temos que atacar esse mal na sua raiz, logo que o jovem começa a usar, para que o sucesso do tratamento seja eficaz”, salienta o Pastor Celmir Fagundes da Rosa, assistente técnico em dependência química da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social.

Para o assistente técnico da Semcas, o maior desafio do grupo é fazer com que a comunidade acredite no projeto. Ele ressalta que o dependente químico do crack é refém da droga, não tendo mais o poder de decidir pela sua vida e alguém tem que fazer isso por ele. “Estamos tentando sair na frente, buscando esse centro terapêutico, que depende do apoio de todas as religiões, das pessoas, sem distinção de raça ou cor, que pensa apenas no auxílio de quem mais precisa”, diz Fagundes.

A entidade será autônoma, onde terá uma direção, um conselho fiscal e pessoas engajadas nesse projeto. A previsão é de que o centro comece a funcionar até a metade do ano. “Nós temos que terminar de reformar o espaço, comprar os móveis e, principalmente, contar com a participação coletiva da sociedade e do poder público”, destaca Nunes.

Equipe
O espaço terá capacidade para receber até 15 jovens, que terão a disposição uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, psicopedagogos, orientadores sociais, laboterapeutas, que estarão à disposição para acompanhar o tratamento. Para poder manter o centro em funcionamento, será necessário um investimento de aproximadamente R$ 30 mil por mês para cada interno, que deve permanecer por um período de nove meses no local.

“Não adianta a gente disponibilizar um espaço, oferecer o tratamento, se não existe toda uma equipe envolvida nesse processo, que inicia dentro do centro de tratamento e segue, por mais dois anos, no retorno desse jovem para o convívio com a sociedade”, salienta o Pastor Fagundes.
Segundo o pastor Fagundes, para ter um retorno do serviço é preciso apresentar resultados positivos: “Nós estamos acreditando nesse projeto, pretendemos acompanhar cada um desses jovens quando saírem daqui, para que não retornem ao vício”, salienta o assistente técnico.

Nesse primeiro momento, o grupo está precisando de ajuda para concluir o centro. Para ajudar basta entrar em contato com a Igreja Luterana da Renovação, através do e-mail setimoceucomunidade@yahoo.com.br , ou pelos telefones (54) 3314.3695 ou (54) 8404.2480
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)