Uso de drogas é o principal motivo

Jornal de Jundiaí
Casos de maus-tratos com crianças e adolescentes são os motivos das denúncias mais recorrentes no Conselho Tutelar de Jundiaí.

Por dia, a entidade chega a receber dez solicitações de checagem e ainda que nem todas sejam comprovadas, as negligências denunciadas – em sua maioria realizadas pelos pais das crianças – estão associadas ao uso de drogas, sobretudo, do álcool e crack.

Segundo profissionais, falta uma estrutura eficiente de prevenção e atenção a estes usuários na cidade. Na última quarta-feira, uma menina de apenas 8 meses foi conduzida à Casa Transitória pelas ações do Conselho Tutelar, como noticiou o JJ Regional. Após denúncias de maus-tratos confirmadas, ela permanece no abrigo e em melhores condições de saúde.

Os pais, moradores do Jundiaí-Mirim, devem se apresentar à Casa Transitória para que sejam orientados e acompanhados. “O objetivo é que a criança fique o menor tempo possível no abrigo. Trabalhamos para que os pais se recuperem e ela volte para eles ou para os cuidados de outro familiar”, diz a psicóloga da entidade, Carina Peralli Piacentini. De acordo com ela, parentes da criança já foram localizados e serão avaliados pela instituição.

O caso ilustra uma situação delicada e comum para aqueles que de alguma forma são marginalizados no contexto social. Segundo a Guarda Municipal, que acompanhou os trabalhos do Conselho Tutelar, a menina vivia com os pais em dois cômodos de um imóvel, no qual foram encontrados lixo acumulado, roupas sujas e resto de comida no fogão. A pequena apresentava péssimas condições de higiene e também não estaria recebendo alimentação adequada.

Ainda segundo a GM, o casal já teria perdido a guarda de outros dois filhos. “Agora, ela se alimenta bem e aos poucos está se adequando ao novo ambiente. Esta situação é difícil para as crianças, por isso, o abrigo é o último recurso quando se constatam riscos na família”, explica a psicóloga Carina. Atualmente, a Casa Transitória abriga 26 crianças e adolescentes, entre zero e 14 anos.

Ali, eles são inseridos em um cotidiano: vão à escola, têm atividades culturais e esportivas, além de outros serviços oferecidos pela rede municipal. “A ideia é que eles se sintam parte. No mínimo, uma criança deveria ficar dois anos no abrigo, mas temos dois irmãos que já estão há quatro anos conosco”, ressaltou Carina.

Longo processo – Carina ainda informa que as denúncias feitas ao Conselho Tutelar são avaliadas de perto. Caso sejam comprovadas as péssimas condições de cuidados, as crianças são recolhidas, primeiro por outros familiares e só em última instância pelos abrigos. Em Jundiaí, a Casa de Nazaré também acolhe os pequenos. Os pais, por sua vez, são encaminhados aos tratamentos necessários.

“Depende de cada caso. Muitas vão para psiquiatras ou clínicas, mas falta na cidade uma política que ajude essa população. Muitas vezes, buscamos recursos além da rede municipal para ajudá-los, pois a questão é complexa”, acrescenta Carina. Para a conselheira tutelar Ariane Zanatta Bagnarol Siqueira, a prevenção também seria a garantia de uma redução nos casos de maus-tratos em família.

“Geralmente, conseguimos ver as crianças voltarem para as famílias, mas quando não há recuperação, elas passam aos trabalhos do juizado do acolhimento que conduz os casos à adoção”, diz. Para fazer denúncias, basta ligar para o Conselho Tutelar (4521-4608) ou para o número 181.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)