Tolerância zero

Jornal O Estado
Vislumbra-se no horizonte mais uma ação do governo a fim de tornar mais rígida a Lei Seca, impondo a tolerância zero à assassina combinação álcool e condução.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pediu ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para colocar em votação o projeto que acaba com a obrigatoriedade do teste do bafômetro para comprovar a embriaguez do motorista.

Para Padilha, as autoridades brasileiras devem utilizar outras evidências para comprovar o teor alcoólico do condutor, como imagens, vídeos ou mesmo o testemunho do policial.

Em um país cujos índices de mortandade há muito já ultrapassaram quaisquer limite racional – estima-se que, todos os anos, mais de 40 mil brasileiros percam a vida vítimas de acidentes de trânsito, além de outros milhares feridos e com terríveis sequelas físicas e emocionais – o caminho parece mesmo ser o de adotar a chamada tolerância zero para com motoristas que insistem em dirigir alcoolizados seus veículos.

Na proposta do governo federal, também está prevista multa e até prisão, com pena máxima de 16 anos, para quem for flagrado dirigindo sob efeito de outras drogas entorpecentes. O texto que endurece as penas no trânsito já foi aprovado no Senado, aguardando apenas a votação na Câmara para seguir em frente.

É preciso lembrar que a lei atualmente vigente permite que o condutor tenha até seis decigramas de álcool por litro de sangue, o que equivale a duas latinhas de cerveja, dois copos de vinho ou meio copo de aguardente.

Pode parecer pouco, mas testes clínicos descobriram que essa quantidade de álcool na corrente sanguínea já aumenta em 50% o risco de acidentes no trânsito quando comparado a um indivíduo que nada tenha bebido.

Ressalte-se que, qualquer esforço para reduzir os acidentes de trânsito, e, desta forma, o absurdo número de feridos e mortos, é válido, e a sociedade brasileira espera que essas leis coíbam as infrações.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)