Aumento de overdoses por uso de drogas preocupa região noroeste, SP

G1
Só em fevereiro foram quatro mortes suspeitas, todas de jovens. Apenas 40% dos pacientes concluem tratamento contra drogas em clínicas.

Um estudo da Confederação Nacional dos Municípios revela que a droga está presente em praticamente todas as cidades do interior. A pesquisa foi concluída no final do ano passado. No mês passado foram quatro mortes de jovens por suspeita de overdose na região de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Nas clínicas de recuperação, cerca de 40% dos pacientes concluem o tratamento.

O que torna a realidade das drogas ainda mais preocupante é o envolvimento cada vez mais cedo do usuário. A dona de casa Terezinha Barbosa de Souza Santos chora a perda do filho, Rafael, de apenas 18 anos, morador de Jaci. No dia da morte, ele misturou álcool com drogas e o corpo não aguentou. A mãe lutou mais de cinco anos para tirar o jovem do vício. Na adolescência, o rapaz conheceu a maconha, depois a cocaína e o crack.

Além desse caso, nos últimos dias foram registradas outras três mortes por suspeita de overdose.

De acordo com a polícia, muitos usuários passaram a comercializar entorpecente para manter o vício. No ano passado, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) prendeu 505 pessoas por tráfico de drogas, quase o dobro de 2010. Outro dado que preocupa é o envolvimento de adolescentes, já que em 2011, 102 menores foram detidos. Em 2010 foram 40.

Para tentar se livrar do vício, os usuários procuram as clínicas de recuperação, mas poucos fazem o tratamento até o fim. Em José Bonifácio, dos 35 pacientes que saíram para passar as festas de fim de ano em casa, só 20 retornaram.

O responsável pelo local, Padre Mauro Ziatti Pereira, explica que o tratamento é longo e dura nove meses. E que o sucesso depende do paciente, que nem sempre concorda em passar por todas as etapas.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)