Sul tem maior número de usuários de maconha

Folha de Londrina
Conforme levantamento da Senad, 32% dos universitários do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul afirmaram que já tinham usado a droga.

Um relatório divulgado ontem pela Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (Jife), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que a maconha continua sendo a principal droga usada na América do Sul. A prevalência anual de abuso de maconha atingiu 3% da população da região entre 15 e 64 anos, ou seja, cerca de 7,6 milhões de pessoas, em 2009.

O psiquiatra e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, não recebeu com surpresa os dados do levantamento da ONU. De acordo com ele, até final da adolescência em média 20% dos brasileiros já experimentaram maconha. “O número de usuários permanentes da droga no Brasil permanece abaixo de 10%, mas mesmo assim é bastante”, afirmou.

Conforme o último levantamento da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), a Região Sul do país é a que mais consome maconha, além de tabaco e álcool. No estudo realizado com universitários, 32% dos estudantes do ensino superior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul afirmaram que já tinham usado maconha na vida. A segunda colocada foi a região Sudeste com 29%. A média nacional é de 26%.

Segundo Salgado, que até o ano passado presidia a Abead, a maconha é a porta de entrada para uso de outras drogas ilícitas como crack e cocaína. “Percebemos que o caminho mais comum entre jovens é começar com as lícitas, álcool e tabaco, e a primeira ilícita é a maconha”, disse.

Cerca de 92% dos universitários da Região Sul confessaram já ter usado álcool e 32% tabaco na pesquisa do Senad de 2010. “Um jovem que consome álcool e tabaco prematuramente tem quatro ou cinco vezes mais chances de utilizar drogas ilícitas na vida adulta.”

De acordo com o psiquiatra, a maconha normalmente é a primeira droga ilícita consumida por jovens, pois tem uma certa aceitação social. “Ela é uma substância entorpecente, capaz de causar dependência, mas tem uma imagem benigna, a mídia já falou muito em uso medicinal. Outro fator que contribui para o uso é disponibilidade e o baixo preço”, afirmou.

Salgado é contrário à descriminalização da maconha. “É um campo minado, pois o resultado imediato da supervalorização da maconha e liberdade é a expansão de usuários”, criticou.

Conforme o psiquiatra, o caminho para diminuir o consumo de drogas no Brasil exige medidas de longo prazo e a manutenção destas ações. “O Estado tem que fazer sua parte. Um menor de idade tem que ter vida livre de drogas. É função do estado reprimir a venda de álcool para menores. E também reprimir o comércio de drogas ilícitas. O segundo ponto é educação. Muitas vezes a própria escola é um local facilitador para disseminação do uso de drogas, um colega influencia outros, por exemplo. E tem também a inclusão dos pais, que tem a responsabilidade de impedir que seus filhos se envolvam com álcool ou tabaco”, explicou.(Com Agência Brasil)
Leia o Relatório JIFE 2011
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)