Cracolândia: 2 meses após ação, viciados se espalham por São Paulo

G1
Usuários de crack são vistos até em frente à sede do Tribunal de Justiça. PM diz que atuou na região para quebrar a logística do tráfico.

Dois meses depois do início da operação da Polícia Militar e da Prefeitura de São Paulo na Cracolândia, o problema se espalhou pelo Centro e por outras regiões da cidade, informou o Jornal Nacional nesta sexta-feira (2). Viciados em crack são encontrados até na frente do Tribunal de Justiça do estado.

No quarteirão que ficou conhecido como Cracolândia, no Centro, não se vê mais a droga sendo usada no meio da rua. Até o fim do ano passado, carros e pedestres evitavam o território dominado por traficantes e dependentes.

Agora, a tranquilidade é vigiada 24 horas por dia. E a construção de um centro de assistência social substitui casarões que abrigavam o consumo. Mas basta virar a esquina para encontrar um grupo de usuários.

As autoridades municipais e estaduais medem o resultado da operação com estatísticas. Desde 2 de janeiro, 299 dependentes químicos foram internados para tratamento, 293 pessoas foram presas em flagrante e foram apreendidos 65 kg de drogas.

Nas ruas, a população reclama. O problema saiu da Cracolândia, mas se espalhou pela cidade, só que em grupos menores. A técnica de enfermagem Vera Luiz mora na Zona Norte da cidade e diz que parte dos viciados da Cracolândia migrou para seu bairro. “Aonde tem uma periferia, alguma coisa assim parecida, eles estão passeando por lá. Estão parecendo uns zumbis por lá.”

Para a Polícia Militar, a dispersão já era esperada. Mas foi a forma encontrada para facilitar o trabalho de combate à droga. “Todo lugar onde a polícia atua ocorre migração. Ali a polícia atuou para quebrar a logística do tráfico, para resgatar o espaço público e para deixar os outros órgãos trabalhar”, afirmou o comandante da PM de São Paulo, coronel Álvaro Camilo.

A coordenadora do programa de apoio a usuários de drogas da Prefeitura confirma a migração de dependentes para outros bairros. “Eles aumentaram o número de pessoas dentro desses pontos. Com isso a secretaria [da Saúde] está trabalhando no sentido do fortalecimento da nossa rede, para receber, acolher esses casos e encaminhar dentro da lógica do tratamento”, disse a coordenadora de saúde mental, álcool e drogas da Secretaria da Saúde municipal, Rosangela Elias.

Nesta sexta, um grupo de 40 pessoas consumia crack às 16h na Praça da Sé. Bem na frente da sede do Tribunal de Justiça. Para o desembargador Antonio Carlos Malheiros, é hora de toda a sociedade enfrentar de vez o problema. “Isso faz com que nossas consciências fiquem sempre ativas e que a gente não se esqueça de fazer justiça para essas crianças e adolescentes. O Estado não pode se ausentar da vida das pessoas.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)