Consumo e comércio de drogas crescem em Jundiaí

Jornal de Jundiaí
O uso das drogas e sua comercialização já não se restringem a um único ponto.

Ainda que haja bairros e contextos sociais em que o índice do tráfico seja mais evidente, em Jundiaí e Região, assim como no Brasil, houve uma expansão natural desta geografia – uma migração de canto para canto, de boca por boca – algo condizente com o crescimento das cidades e com a possibilidade de um maior público consumidor; do morador de rua, que consome a droga mais barata, ao filho de classe média que têm dinheiro para diversificar seu uso. Justamente nestes pontos atua o policiamento municipal, seja pela prevenção ou combate direto ao tráfico. De uma realidade que se transforma ao decorrer dos anos, hoje, as regiões mais preocupantes de Jundiaí envolvem o Jardim São Camilo, Vila Aparecida, Vila Esperança, Vista Alegre e Jundiaí-Mirim. Porém, as adjacências não deixam de ter participação neste uso. De acordo com registros da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí, há 600 pontos de tráfico na cidade.

De 6 mil usuários de drogas ilícitas existentes em Jundiaí, 1.500 são dependentes crônicos. Em relação ao álcool, há 30 mil usuários já comprometidos com a droga na cidade. “Jundiaí está localizada entre dois pólos importantes, Campinas e São Paulo. A cidade cresce e a migração dos pontos de uso e venda de drogas acontece. Não há uma ´cracolândia´ na cidade. Existe uma concentração, claro, mas em locais onde circulam aqueles que compram a droga e não têm onde consumi-la”, disse o presidente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad), Edmilson Borges. Ele, que acompanha o assunto de perto desde os anos 1990, esta é uma tendência a ser analisada. “A demanda cresceu e as ações preventivas devem olhar para esta situação.”

Para o inspetor Claudio Ferigato, responsável pelas operações da Guarda Municipal, do mesmo modo em que cresce a cidade, a estrutura de combate ao tráfico e os métodos de apreensões de entorpecentes se tornam mais rígidos, além de comuns. “Hoje, a venda e o uso alcançam outros bairros, como Jardim Pacaembu, Colônia, mas em quantidade muito menor do que naqueles de maior incidência. Todos estes setores estão previstos no patrulhamento de viaturas da GM. Temos que usar estratégias para nos aproximar da comunidade e levar segurança.”Ainda assim, o caminho não é fácil. “Sabemos que o crack, por exemplo, se dispersa. Em cidades que não têm nem água, tem o crack. À medida que o combate às drogas se intensifica, o tráfico também modifica sua estrutura para não ser atingido”, ressaltou Ferigato.

Neste jogo de gato e rato, os serviços municipais integrados devem ser fortalecidos. Segundo Ferigato, uma ação conjunta – com secretarias, entidades e polícia – qualifica o trabalho diário. Nos últimos anos, as drogas mais comuns apreendidas em Jundiaí são maconha, cocaína e crack. Nas submoradias. Como vem noticiando o JJ Regional, um dos pontos mais visados pela droga atualmente é a Vila Aparecida, no entorno do Jardim São Camilo. Onde moram famílias e trabalhadores, também há quem reclame dos usuários de drogas. O conflito de quem vive em uma cidade mas não quer conviver com as contradições próprias dela poderia existir em qualquer outro bairro. Ali, no entanto, está, de fato, a maioria dos envolvidos no tráfico, incluindo menores.

Em setembro de 2009, a Rota Policial, junto ao Ministério Público de São Paulo, esteve no Jardim São Camilo numa ação que ficou conhecida como Operação Saturação, que teve a presença permanente de 480 policiais militares no bairro por cerca de 15 dias. Um mês após a ocupação – com uma quantidade significativa de apreensões de drogas, armas e prisões de fugitivos – era esperado o trabalho da Prefeitura para oferecer ao bairro condições de desenvolvimento local. Até o momento, ainda que o programa municipal para erradicação de submoradias promovido pela Fumas (Fundação Municipal de Ação Social) tenha modificado vidas na Vila Comercial, Vila Maringá, Jardim Fepasa, e comece a mudar o cenário da Vila Ana entre outros bairros mais periféricos, o Jardim São Camilo ainda parece ser uma dificuldade. “Pelo tamanho e complexidade, o bairro passa por melhorias. Uma ação da Rota é programada, mas a erradicação das favelas, a oferta de estrutura de saneamento, a retirada das famílias dos barracos, tudo isso não acontece de um dia para o outro. O trabalho vem sendo feito e nos ajuda a entrar no bairro”, disse o inspetor Ferigato. “Os resultados estão surgindo e é importante que a comunidade contribua conosco sem medo”, acrescentou.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)