Região decide se unir contra as drogas

Diário do Grande ABC
O poder público do Grande ABC decidiu se unir e montar força-tarefa no combate ao tráfico e na ampliação de ações junto aos usuários de drogas.

O primeiro encontro, realizado ontem pela manhã na sede do 6º Comando de Policiamento de Área Metropolitana da Polícia Militar, em Santo André, reuniu representantes das polícias Militar e Civil, do MP (Ministério Público) e das prefeituras, que enviaram funcionários ligados à área da Saúde.

A iniciativa partiu da Procuradoria Geral de Justiça, por meio da promotora do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) Mylene Comploier. O objetivo é realizar trabalho integrado. “Há algum tempo pensávamos em discutir essa questão entre as autoridades da região”, disse a representante do Ministério Público.

O coronel Roberval França, responsável pela Polícia Militar na regiãoi, afirmou que a corporação fará sua parte e intensificará as ações de combate ao tráfico. A intenção é conter a criminalidade local e coibir a migração de usuários da Capital. “Por parte da polícia, o papel fundamental é quebrar a logística, combater e eliminar o tráfico de drogas”, disse o coronel.

A expectativa do comandante é de que essas ações resultem em maior procura de dependentes por tratamento. “Sabemos que isso vai impactar no sistema de Saúde, criando maior demanda. Por isso, resolvemos chamar as prefeituras para esse diálogo.”

O delegado seccional de São Bernardo e São Caetano, Rafael Rabinovici, também relatou o trabalho da Polícia Civil nas duas cidades. “Grande parte das prisões realizadas no ano passado foi de pessoas envolvidas com o tráfico.”

Todos os representantes municipais apresentaram os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos no tratamento de dependentes químicos e o que ainda pretendem realizar para resolver o problema na região.

Para o coronel Roberval, o resultado do encontro foi positivo. “Hoje (ontem), procuramos identificar a existência dos equipamentos e ver se estão com a capacidade adequada para que esses usuários sejam encaminhados ao tratamento”, afirmou.

PESQUISA

Estudo feito pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas da Assembleia Legislativa apontou que o crack é a droga ilícita mais consumida no Grande ABC. Dos 645 municípios paulistas, 325 responderam a questionário dos deputados – representando 76% da população de São Paulo. As sete cidades do Grande ABC forneceram informações. Na região, o crack foi lembrado em 14% das citações, enquanto o álcool recebeu citações da ordem de 86%. Juntas, cocaína, maconha e drogas sintéticas, estimulantes como a anfetamina e o ecstasy, não atingiram nem 1% de citações.

MP pede investimento maior em tratamento

O encontro entre as autoridades da região também serviu para o Ministério Público cobrar maiores investimentos para o tratamento de usuários de drogas no Grande ABC. “É necessário ampliar os recursos em leitos para atendimento de dependentes químicos”, afirmou Jairo Edward De Luca, promotor da Vara de Infância e Juventude de São Bernardo.

O Hospital Mário Covas conta com apenas 21 leitos de internação para atender toda a região. Outra opção é o Hospital Jacques Lacan, porém, os municípios informaram que há dificuldades para conseguir vagas.

As prefeituras fazem tratamento de usuários por meio dos Caps-AD (Centro de Atenção Psicossocial) e consultórios de rua. “Vimos todo o esforço dos órgãos municipais, mas ainda há longo caminho a percorrer”, disse Mylene Comploier, promotora do Gaeco.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)