Programa de combate ao crack em PE receberá R$ 85 milhões da União

G1
Estado é o primeiro a assinar termo de adesão ao ´Crack, é possível vencer`. Prefeitura do Recife também assinou convênio com governo federal.

Pernambuco vai receber, entre repasses e aplicação direta, aproximadamente R$ 85 milhões para programa de combate ao crack. Até 2014, estado e municípios devem receber R$ 4 bilhões da União. O estado é o primeiro a assinar parceria com o governo federal para combater a droga.

A novidade foi anunciada na manhã desta quarta-feira (14), quando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o prefeito do Recife, João da Costa, assinaram um termo de adesão do estado e do município ao programa federal ´Crack, é possível vencer`. A cerimônia contou também com a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Saúde, Alexandre Padilha, além da secretária Nacional de Assistência Social, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Denise Colin.

O combate ao consumo da droga vai ser feito de forma integrada e através de três frentes. “Esse é um dos principais problemas que a sociedade tem diante de si. O consumo das drogas, em especial do crack, tem que ser enfrentado com coragem. Temos que dar aos traficantes a cadeia, aos dependentes químicos o tratamento, a sociedade a prevenção”, defende o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

O primeiro ponto do combate está relacionado ao aumento da oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários da droga. “A perspectiva é de potencializarmos as ações que já são desenvolvidas. Balizados pelo entendimento que a intervenção articulada das três esferas e do engajamento da sociedade nos permitirá estabelecer, poderemos atingir a nossa meta, que é resolvermos esse problema do crack”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Três novas Unidades de Acolhimento Adulto e uma Infantil serão implantadas até junho de 2012, enquanto os 126 Centros de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), que tem capacidade para realizar 6.840 atendimentos em 121 municípios do estado, terão o repasse mensal ampliado para R$ 1,1 milhão. “O crack desafia a nós médicos, serviços de saúde, como tratar e a melhor forma de tratar. A ideia de que o crack é restrito a um grupo específico de pessoas não existe. Hoje todos nós conhecemos alguém que é dependente de crack”, pondera Padilha.

Os sete Centros de Referência para Pessoas em Situação de Rua terão o repasse aumentado de R$ 91 mil para R$ 118 mil por mês para cada unidade. “As pessoas que estão na rua são mais vulneráveis, 80% dos moradores de rua são consumidores de crack, álcool, cola ou outras drogas. É hora de agir, de forma articulada o estado e a sociedade, para juntos vencermos o crack”, acredita o prefeito João da Costa.

Outro ponto está relacionado ao enfrentamento ao tráfico de drogas e às organizações criminosas. “A gente tem que ter claro que as organizações criminosas não podem ser tratadas de uma maneira romântica. Temos que ser duros, o estado brasileiro está preparado para enfrentá-las”, avisa o ministro da Justiça. “O crack não aguenta a burocracia do estado, não aguenta o ´estado do ontem`, exige que tenhamos que quebrar os muros do que é o estado, o município e a sociedade”, lembra o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Para esse combate, está prevista a implementação de policiamento ostensivo. Nas proximidades das áreas de concentração de uso de drogas, serão instaladas câmeras fixas de monitoramento. Além disso, o estado vai receber três bases móveis de controle de vídeo-monitoramento, cada uma delas com capacidade para controlar vinte câmeras fixas, e 40 profissionais de segurança serão capacitados para atuar nelas. Ao todo, o investimento em segurança pública é estimado em R$ 5,5 milhões.

No campo da prevenção, o programa terá ações voltadas para a escola e também para os profissionais de saúde e de segurança pública, operadores de direito e a sociedade. “Uma coisa é aqui dentro do Palácio, outra coisa é na ´vera`, é você e um jovem de 16 anos de idade diante de si, viciado e sem perspectiva. Se não tiver um servidor público, alguém que milite nessa causa, que acredite realmente no seu trabalho, se perde uma vida dessa”, diz o governador, lembrando da importância dos profissionais.

Somente atuando firmemente nessas três frentes e com firmeza, despindo esse vício de preconceitos, é que será possível combater essa epidemia do crack no Brasil, defende Alexandre Padilha. “O crack hoje no Brasil tem todos os três critérios do conceito clássico de epidemia. Como médico infectologista, eu sempre tenho o paralelo do enfrentamento ao crack à epidemia da AIDS na década de 1980. Nós não sabíamos naquela época como cuidar direito e existia muito preconceito”, lembra Padilha.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)