Luta contra o crack virou prioridade dos gestores públicos

Gazeta Online
Para político, associação do crack à violência tornou-a uma nova variável da segurança pública.

Muito se falou do uso abusivo de drogas. Todavia, pouco ou quase nada foi feito pelos atores responsáveis pela elaboração das políticas públicas em nosso país. Enquanto as ocorrências ficavam mascaradas junto aos números dos atendimentos hospitalares inespecíficos, foi fácil para o Estado não se preocupar em buscar uma solução para o caso. Até que a sociedade passou a ver nos meios de comunicação exércitos de zumbis espalhados pelos quatro cantos do país, com sua aparência degradada, maltrapilhos e subnutridos.
Não por acaso, a luta contra o crack ganhou as páginas dos jornais e foi tratada como estrela de primeira grandeza na lista de prioridades dos gestores públicos. Sua associação à violência tornou-a uma nova variável da segurança pública.

Alguns parâmetros básicos, sem os quais nenhum avanço será alcançado, precisam ser definidos. Comecemos pela compreensão do que estabelece essa relação perversa entre o homem, o seu prazer e a morte no âmbito da convivência com as drogas. Hoje os profissionais mais sensíveis ao problema já se dão conta da necessidade de compreender o uso descontrolado do álcool e outras drogas enquanto uma doença para a qual não há cura, restando apenas o não uso como opção de seu controle. Em resumo, a dependência química é uma doença.

Sendo doença e acometendo milhares e até milhões de brasileiros, antes de qualquer coisa é preciso tê-la como um problema de saúde pública – aí temos o segundo parâmetro.

E o terceiro novo parâmetro é a capacidade de debater o tema, abordando-o no âmbito das questões associadas à segurança pública, aí compreendidos e diferenciados traficantes e usuários, estes nos seus mais diversos níveis.

Ao falar destes três parâmetros, alerto para a natural e imensa dificuldade de tratar um problema que exigirá mudança profunda de hábitos, conceitos e mesmo da legislação. Encontramos dificuldades que vão desde a inadequada capacitação do pessoal que irá lidar com o problema, passando pela normatização dos procedimentos em saúde e o seu financiamento, até chegarmos às medidas associadas a segurança pública, incluída a repressão ao tráfico.

Tudo isso sem deixar de considerar as políticas transversais que são imprescindíveis, tais como nas áreas de educação e assistência social. Prevenir contra o uso, reprimir o tráfico e tratar o dependente químico exigirá de cada um de nós um compromisso de mudanças. E ao poder público a capacidade de reciclar sua compreensão e inovar sua ação.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)