Número de fumantes no Brasil cai para menos de 15% pela primeira vez, segundo pesquisa Vigitel

A queda do número de fumantes no Brasil para 14,8% – é a primeira vez que o número cai para menos de 15% – foi uma das boas notícias da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2011, divulgada na terça-feira, 10, pelo ministério da Saúde. O índice dos que fumam mais de 20 cigarros por dia também caiu e está em 4,3%. O governo comemorou ainda o crescimento do número de mamografias feitas por mulheres entre 50 e 69 anos de 2007 até agora. A pesquisa coletou informações nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Entre os homens, o percentual de fumantes ficou em 18,1% e entre as mulheres, 12%.Entre aqueles que fumam 20 cigarros ou mais por dia, 5,4% são homens e 3,3, mulheres. Os homens, em compensação, estão deixando mais o cigarro: 25% se declararam ex-fumantes, enquanto 19% das mulheres afirmaram terem sido tabagistas.

As capitais onde mais se fuma são Porto Alegre (23%), Curitiba (20%) e São Paulo (19%). No Nordeste estão as capitais com menor incidência de tabagismo entre seus moradores: Maceió (8%), João Pessoa, Aracaju e Salvador (todas com 9%).

O percentual de mulheres dentro da faixa etária preconizada (50 aos 69 anos) que fizeram mamografia nos dois úitmos anos variou de 86% em Vitória a 50% em Rio Branco. A média foi 73,3%. Entre as brasileiras que mais se preocuparam em realizar o exame veem em seguida as soteropolitanas, as curitibanas, as moradoras de Belo Horizonte (todas com 82%), de Florianópolis e as de Porto Alegre (ambas com 81%). Depois das moradoras de Rio Branco, as que menos compareceram aos serviços de mamografia foram as residentes em Belém, Fortaleza (ambas com 62%) e Macapá (61%).

“Na minha avaliação, tanto a questão do tabagismo quanto da mamografia mostram que o povo brasileiro adere sim às medidas de acesso à saúde”, apontou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O índice de mulheres entre 25 e 59 anos (faixa etária anteriormente preconizada, atualmente ampliada até os 64 anos) que fizeram o exame preventivo ginecológico nos últimos três anos foi de 80,5%. A variação foi grande entre as com até oito anos de estudo (76,9%) e as com mais de 12 anos de instrução (89,6%). Entre as mais assíduas estão as paulistas , curitibanas (ambas com 90%), as moradoras de Florianópolis (89%) e as de Porto Alegre (87%). As que mais deixaram de fazer o exame foram as moradoras de Maceio (68%), João Pessoa (71%), Teresina e Macapá (ambas com 72%).

Não houve variação no índice de consumo abusivo de álcool ao longo dos seis anos em que a pesquisa tem sido feita. Entre os homens o percentual é de 26% e entre as mulheres, de 9%, perfazendo média de 17% dos brasileiros.

O dado negativo é que quase metade da população brasileira está acima do peso. De acordo com o estudo, o percentual passou de 42,7% em 2006, para 48,5% em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos subiu de 11,4% para 15,8%.

O levantamento, divulgado anualmente pelo ministério desde 2006, traz um diagnóstico da saúde do brasileiro a partir de questionamentos sobre os hábitos da população, como tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, alimentação e atividade física. Em 2011 foram entrevistadas 54.144 pessoas de janeiro a dezembro.

O ministério da Saúde considera acima do peso as pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) mais alto que 25. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Acima de 30 no IMC a pessoa é considerada obesa.

“Existe uma tendência de aumento de peso e da obesidade no País. Agora é a hora de virar o jogo para não chegarmos a países como os Estados Unidos, que têm mais de 20% de sua população obesa”, afirmou Padilha, em coletiva de imprensa.

Ele citou acordos feitos no ano passado entre o governo e a indústria de alimentos e escolas para a redução de sal e gordura na comida. O ministro defendeu ainda a criação de “espaços de saúde”, com máquinas para exercícios em áreas públicas.

O levantamento revela que o sobrepeso é maior entre a população masculina. Mais da metade dos homens – 52,6% – está acima do peso ideal, enquanto 44,7% das mulheres apresentam sobrepeso. A pesquisa mostra ainda que o excesso de peso entre homens começa na juventude. Entre os que têm entre 18 e 24 anos, 29,4% já estão acima do peso. Na faixa etária entre 25 e 34, 55% da população masculina apresenta excesso de peso. A porcentagem sobre para 63% entre 35 e 44 anos.

Já entre mulheres jovens (entre 18 e 24 anos), 25,4% apresentam sobrepeso. A proporção aumenta para 39,9% entre 25 e 34 anos e mais que dobra entre brasileiras de 45 a 54 anos (55,9). “Agir sobre as crianças e adolescentes é fundamental para prevenir uma população obesa”, afirmou o ministro.

Alimentação – Segundo Padilha, um dos fatores do aumento do excesso de peso e da obesidade no Brasil é o consumo de alimentos gordurosos. A pesquisa do Ministério da Saúde revela que 34,6% dos brasileiros comem em excesso carnes com gordura e mais da metade da população (56,9%) bebe leite integral regularmente.
Além disso, 29,8% dos brasileiros consomem refrigerantes pelo menos cinco vezes por semana. Por outro lado, apenas 20,2% ingere a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde de cinco ou mais porções por dia de frutas e hortaliças.

“Alimentar-se bem é o primeiro passo para ter uma qualidade de vida saudável. Temos que ter maior oferta de produtos industrializados saudáveis. No tocante aos supermercados, o objetivo é colocar produtos saudáveis mais visíveis, como o leite desnatado”, afirmou Padilha.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde