Governo de SP inaugura serviço para gestantes dependentes químicas

Folha de São Paulo
A governo de São Paulo inaugurou nesta terça-feira um serviço especializado no tratamento de gestantes com dependência química no Hospital Psiquiátrico Lacan, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

O serviço vai oferecer dez leitos no hospital para as mulheres que passarem por triagem médica.

“A criação do novo serviço foi feito a partir da observação de um aumento considerável de mulheres que, em razão da dependência, acabavam se prostituindo ou ficando em situação de vulnerabilidade”, disse Sérgio Tamai, coordenador de Saúde Mental da Secretaria.

Além de atendimento obstétrico, as mães terão acompanhamento clínico e psiquiátrico. Nos casos mais complexos, a Secretaria da Saúde informou que haverá o auxílio do Hospital Geral de Diadema. O investimento neste novos 10 leitos especializados é de aproximadamente R$ 700 mil ao ano.

A gestante dependente química que queira ter o acompanhamento do serviço deve procurar voluntariamente o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), na rua Prates, 165, Bom Retiro, região central, para passar por processo de triagem.

Após consulta, o médico indicará a necessidade de internação, cujo período será variável, conforme a recomendação terapêutica proposta pela unidade.

A Secretaria informou que vai investir nos próximos dois anos cerca de R$ 250 milhões para implantação de 710 novos leitos de internação para dependentes em álcool e drogas em São Paulo. Entre os projetos, está em fase de implantação mais 15 leitos especializados para tratamento de gestantes em Itapira, no Instituto Américo Bairral.

PESQUISA

Um levantamento feito pela Secretaria de Saúde na maternidade estadual Leonor Mendes de Barros apontou aumento do número de mães dependentes de crack e cocaína que perderam a tutela de seus bebês em razão do vício.

O hospital encaminhou em 2011 para a Vara da Infância e Juventude, 52 crianças cujas mães não tinham condições de manter a guarda do filho em virtude da dependência química. Em 2008, o número foi de 15 crianças.

Outros três hospitais estaduais da capital paulista apresentaram casos de crianças encaminhadas ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância em 2011 em razão de dependência química das mães. Foram 13 ocorrências no Hospital Geral de Pedreira, 14 no Hospital Geral de São Mateus e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)