Na luta contra o crack, Rio receberá 240 milhões de reais da União

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Prefeitura e governo do estado aderem a programa do governo federal, que já chegou a Pernambuco e Alagoas. Verba será destinada a ações de prevenção, tratamento e segurança pública.

Foi nas calçadas e ruas de São Paulo, no início da década de 90, que as cracolândias se incorporaram ao cenário das metrópoles brasileiras. Hoje, o problema está longe de ser uma exclusividade da maior cidade do Brasil. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios realizado no ano passado em 4.430 das 5.565 cidades brasileiras revelou que o crack e seus efeitos devastadores estão presentes em 91% delas. No caso do Rio de Janeiro, o quadro é alarmante: cerca de 3.000 usuários (sendo 20% menores) padecem em pelo menos 11 cracolândias e mais seis pontos itinerantes de consumo da droga, de acordo com mapeamento da prefeitura.

Nesse contexto, as três esferas de governo se unem para lidar com a questão. A prefeitura e o governo do estado assinam, nesta sexta-feira, a adesão ao programa do governo federal ´Crack, é Possível Vencer`, através do qual a União investirá recursos de 240 milhões de reais até 2014 para o aumento da oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentamento ao tráfico e ampliação das atividades de prevenção. A verba será utilizada em todo o estado, tanto por repasses como aplicação direta. Pernambuco e Alagoas também já aderiram ao programa, que tem orçamento de 4 bilhões de reais até 2014.

Também nesta sexta-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, visitam um dos Centros Especializados de Atendimento à Dependência Química (CEADQ) da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Esses centros são o eixo da principal política da prefeitura na luta contra o crack. Em 31 de março de 2011, a SMAS deu início a operações de recolhimento de viciados nas ruas. Em 80 ações realizadas nas principais cracolândias da cidade, já foram recolhidas 3.803 pessoas, sendo 3.232 adultos e 571 crianças e adolescentes. No caso dos adultos, trata-se de um trabalho de enxugar gelo, tendo em vista que a maioria absoluta prefere voltar para as ruas. Já os menores são submetidos a internação compulsória, com a aval do poder judiciário.

Tratamento – No âmbito da saúde, serão investidos 211 milhões de reais – sendo 4,25 milhões de reais da prefeitura. Entre as medidas, estão previstas: a criação de seis novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS-AD) para atendimento 24 horas; abertura de 427 novos leitos em enfermarias especializadas e qualificação de 71 leitos já existentes em Hospitais Gerais; e mais 27 novos Consultórios na Rua, além da qualificação de oito já existentes.

Ações de prevenção serão articuladas pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça, com foco na escola e nos bairros, além de estratégias de comunicação. Os investimentos podem chegar a 15 milhões de reais só na formação de profissionais que atuam nas áreas de saúde, assistência social, justiça e segurança pública por meio de cursos presenciais e à distância.

Segurança – As ações policiais do programa irão se concentrar nas fronteiras e nas principais cracolândias do Rio: Jacarezinho, Manguinhos e Morro do Cajueiro (Madureira). Está prevista a implementação de policiamento ostensivo e de proximidade nas áreas de concentração de uso de drogas, com a instalação de câmeras fixas. A expectativa é que a utilização de câmeras, móveis e fixas, contribua para inibir a prática de crimes, principalmente o tráfico de drogas. Também serão intensificadas as ações de inteligência e de investigação para identificar e prender os traficantes.O total de investimentos do governo federal na segurança pública será de mais de 9 milhões de reais.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)