Estudo: 75% dos presos alagoanos cometeram crimes após usar drogas

Correio do Povo de Alagoas
Os réus em processos criminais, cujo crime tem ligação com o uso de drogas, receberão assistência da Comissão de Justiça Terapêutica Sobre Drogas, constituída pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL).

O grupo, cujo projeto é pioneiro entre as seccionais do País, é composto por sete advogados, que irão trabalhar com a prevenção, tratamento e reinserção do dependente químico na sociedade.

De acordo com o presidente da comissão, Ronnie Reyner Teixeira Mota, 75% da população carcerária alagoano cometeu crime a partir do uso da droga. “Vemos que tem uma ligação da dependência química com a criminalidade. Nas estatísticas as duas estão crescendo juntas, com índices iguais”, colocou Mota.

O advogado Rodrigo Monteiro ressaltou que a Comissão trabalhará além das drogas ilícitas, a drogas lícitas, como o álcool. “Nesse primeiro momento estamos realizando algumas palestras de prevenção nas comunidades e nos grupos de auto-ajuda. O combate do uso das drogas, seja ela licita ou ilícita, tem que ser tratado logo no começo”, afirmou.

Segundo Mota, o objetivo da comissão é buscar uma forma de tratamento adequada ao dependente químico, condenado pela justiça. Para isso, uma equipe formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais estará prestando suporte na avaliação dos réus.

“O perfil do acusado será analisado para que seja dado um tratamento adequado em cada situação. Às vezes temos uma pessoa que além do uso da droga tem outras doenças psicológicas”, explicou.

A Comissão de Justiça Terapêutica é um modelo penal no qual o infrator pode escolher entre receber a pena restritiva de direitos ou fazer um tratamento de saúde, tendo a possibilidade de ter seus registros criminais apagados. Isto significa que o sujeito infrator, em situações especificas, pode livrar-se ou abrandar a sua situação penal se fizer tratamento, submetendo-se à supervisão judicial.

Alagoas conta com 35 unidades terapêuticas voluntárias e duas clínicas de internamento involuntárias. “Nós vamos também contar com a parceria das Secretarias da Saúde e da Paz, através do acesso às comunidades terapêuticas. O município de Maceió também fará parte do projeto com as unidades do CRAS e consultório nas ruas”, concluiu Mota.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)