Empresa de veículos em Sorocaba abre oportunidades para dependentes químicos

Cruzeiro do Sul
Parceria entre uma loja e uma clínica ajuda a reintegrar no mercado de trabalho pessoas em recuperação.

Para evitar que os prejuízos causados pelo uso de drogas e álcool afetem o ambiente de trabalho é preciso investimentos por parte das empresas públicas e privadas. Porém, muitas organizações ignoram e fazem de conta que o problema não é com elas. Mas em oposição a este tipo de procedimento, que em determinados casos pode ser classificado como preconceituoso, a revenda de veículos Auto 7 Class, de Sorocaba, decidiu unir-se ao Centro Terapêutico de Araçoiaba, em Araçoiaba da Serra, para ajudar dependentes químicos em recuperação a ficarem longe das drogas.

O programa de reabilitação, que começou a funcionar há aproximadamente 90 dias, consiste na abertura de vagas de emprego para os dependentes em recuperação. O objetivo é incluir o portador da doença no contexto profissional e social.

Dependente químico em recuperação, o ex-motorista de caminhão V.R.O.S perdeu seu trabalho por causa do uso de crack. Depois de três anos sem chance no mercado, V.R.O.S., que está em tratamento para sair da dependência, ganhou uma nova oportunidade como vendedor na agência.

De acordo com o gerente, Rodrigo Manga, a parceria com a clínica, existente há mais de 90 dias, é parte do projeto de responsabilidade social da empresa. “Desenvolvemos, há algum tempo, palestras com os residentes da clínica, sobre treinamento para o mercado de trabalho e percebemos que muitos deles tinham talento e responsabilidade para assumir o cargo”, destaca.

“Já faz algum tempo que comecei a visitar a clínica como membro da Igreja Mundial. Comecei a perceber que eles (os dependentes químicos) são hiperativos e inteligentes. Foi então que surgiu a ideia de firmar a parceria com a clínica”, conta Manga.

O gerente explica que antes da contratação, V.R.O.S passou por um treinamento, que envolveu também outros nove residentes da clínica. O processo durou dois meses e incluiu participações em ações publicitárias, divulgações de vendas e cadastros para atrair novos clientes. “Em apenas dois dias de atividades, ele cadastrou mais de 70 clientes. É inteligente, comunicativo e tem tudo para dar certo. Queremos concentrar de forma positiva toda esta energia”, salienta Rodrigo. “Acredito que o projeto pode ser ampliado para outras empresas. Por isso, tenho conversado com alguns amigos (empresários) para tentar convencê-los a oferecer oportunidades para outros internos”, complementa Rodrigo Manga.

Reinserção

Antes de receber a nova oportunidade, os residentes da clínica passam por um tratamento de, aproximadamente, oito meses e recebem acompanhamento de 25 profissionais diferentes, entre eles psicólogos, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, nutricionistas, professores de educação física, musicoterapeuta, dentista, enfermeiro 24 horas e clínico geral. Em seguida, o Centro tenta a inclusão do interno no mercado de trabalho. “Temos a missão de recuperar, por meio de tratamento especializado, a autoestima de quem sofre de dependência química, física ou emocional. Com o objetivo de minimizar os riscos de retorno ao vício, buscamos parcerias com entidades e empresas para que, ao final do tratamento, possamos encaminhar o residente ao mercado de trabalho e, assim, ele possa retomar a sua vida”, destaca Valter Lattanzio, presidente do lugar.

“Percebi que ao final do tratamento eles (os dependente químicos) não estavam conseguindo a reinserção. Foi então, que iniciamos o programa. Os que conseguem vaga, trabalham durante o dia e retorno todos os dias para a unidade. Ao fim do tratamento, ajudamos o ex-interno a conseguir até uma nova casa, de preferência próximo ao seu novo trabalho”, explica Lattanzio.

De acordo com o dirigente do Centro, além de V.R.O.S, outros quatro dependentes químicos já foram encaminhados para o mercado de trabalho.

“Até agora foram cinco, mas queremos ampliar esse número. Estamos buscando novos parceiros. Os interessados em fazer parte do programa podem ligar para 9724-5920 ou 7814-7616.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)