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SP vai reforçar combate à venda de vinho químico na Virada Cultural

G1
Bebida feita com álcool doméstico pode ter efeitos graves após consumo. Ambulantes oferecem o coquetel em grandes eventos da capital paulista.

A Prefeitura de São Paulo vai reforçar a fiscalização contra a venda de bebidas químicas e de drogas durante os eventos da Virada Cultural, que acontece neste sábado (5) e domingo (6) na cidade. O chamado vinho químico normalmente é vendido por camelôs em grandes eventos na capital paulista, e pode levar uma grande quantidade de álcool doméstico. Os efeitos da bebida, que não tem nenhuma autorização legal para ser vendida, são extremamente perigosos. Médicos dizem que, em grande quantidade, ela pode levar até a morte.

Quando a metrópole se reúne pra festejar, em eventos contados aos milhões de pessoas, os ambulantes preparam um coquetel chamado injustamente de vinho químico. “Ele pega alguma coisa parecida, ou algum vinho de preço irrisório e produz de uma garrafa, vamos supor que ele pague R$ 5, R$ 6, ele produz cinco, seis garrafas”, explicou o subprefeito da Sé, Nevoral Bucheroni, ao Bom Dia Brasil.

O vinho químico mais comum tem etanol com groselha. Outras vezes leva álcool metílico, usado em produtos de limpeza, com corante e adoçante. O teor alcoólico frequentemente passa de 90%.

Em um único evento, no ano passado, foram apreendidas 22 mil toneladas do líquido avermelhado. A polícia fechou 26 fábricas de fundo de quintal.

Como os ambulantes atuam disfarçados no meio da multidão, levando garrafas em mochilas pra fugir da fiscalização, é cada vez mais importante que as pessoas saibam que aquilo que é vendido nas ruas não é vinho. Cada ambulante faz a mistura que bem entende, usando materiais de baixa qualidade, produtos químicos, sem nenhuma preocupação com a higiene. E o resultado desse coquetel chamado vinho químico é um efeito devastador sobre a saúde de quem bebe.

Álcool em quantidades tão elevadas pode levar a um estado de intoxicação aguda. O coração bate desordenado e o cérebro pode entrar em convulsão. “O álcool é tão tóxico que depois de uma determinada quantidade os impulsos do cérebro passam a funcionar de uma forma caótica. Isso pode levar a uma serie de desequilíbrios químicos no corpo que o individuo pode ir para coma ou morte”, explica o psiquiatra Dartiu Xavier, da Universidade Federal de São Paulo.

Se o vinho químico for feito com álcool metílico, usado em produtos de limpeza, o efeito é pior. “O maior risco é você ter uma cegueira, e é definitiva. A pessoa fica cega, e é irreversível”, afirmou o psiquiatra.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)