Segunda reportagem sobre crack mostra que droga chegou ao interior

G1
Repórteres apontam locais onde o entorpecente destrói vidas. Em toda MG, 5% da população estaria dependente da droga.

O consumo de crack deixou de ser uma triste imagem apenas nas ruas das grandes cidades. O preço baixo e a dependência rápida criam vítimas fáceis para os traficantes também nos pequenos municípios. Na segunda reportagem desta série, os repórteres Ismar Madeira e Saulo Luiz mostram o mapa do crack em Minas Gerais. E o drama de famílias simples, que sofrem e lutam para tentar livrar os filhos da droga.

Em todo o estado, em média, 5% da população estariam dependentes da droga. A porta de entrada são os casarões abandonados, os becos escuros da cidade. O velho centro histórico já é um conhecido ponto de venda e de uso da droga em Araçuaí, na Região do Vale do Jequitinhonha. Ainda não como nas grandes cidades, a qualquer hora do dia, pra todo mundo ver. O sofá, ao ar livre, é um ponto de encontro. Ao lado, as marcas do fogo pra consumir a droga. O preço é um dos motivos da interiorização do tráfico.

“Estamos falando de R$ 5, alguns casos R$ 10 no máximo o preço de uma pedra, de um grama, comparativamente ao retorno, ao prazer que o crack proporciona, o usuário se sente recompensado, vale a pena gastar R$ 5, R$ 7, R$ 10 pra comprar uma pedra”, explicou Luiz Flávio Sapori.

Uma mãe não aguenta ver os dois filhos sendo presos por causa dos furtos pra comprar a droga. O mais novo começou no vício aos 11 anos de idade. O mais novo, segundo ela, está há dois meses sem usar a droga, depois de passar por uma clínica em outra cidade, a quase 400 quilômetros de distância. Para o mais velho, a família não consegue tratamento. Ele está magro, apático. O jovem de 16 anos teve acesso ao crack na vizinhança. A família teve que deixar a casa onde morava porque o jovem passou a trazer outros dependentes químicos pra fumar crack no quintal.

Na reportagem desta sexta-feira (18), a abordagem será a falta de estrutura para o tratamento do vício no crack. E ainda: as iniciativas de pessoas que tentam ajudar os dependentes na difícil luta contra a droga.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)