Estudo mapeia causas de recaídas nos tratamentos para deixar de fumar

Jornal O Estado de S. Paulo
Estresse, ansiedade e descuido estão entre as principais razões para o fracasso da tentativa; Dia Mundial sem Tabaco é comemorado nesta quinta, 31

Do total de fumantes que fazem tratamento para deixar o cigarro, cerca de 30% voltam a fumar. A maioria das recaídas (cerca de 60%) ocorre nos três primeiros meses de tratamento, a fase mais crítica. Vencida esta etapa, o índice cai para 17% a 20% no período de um ano e despenca para 1,5% após 12 meses, mostra um estudo apresentado no congresso da Society for Research on Nicotine and Tobacco, nos Estados Unidos.

Coordenada pela cardiologista Jaqueline Scholz, a pesquisa feita com 820 pacientes traça uma radiografia sobre os períodos mais críticos do tratamento e as causas de recaídas. A médica analisou dados retrospectivos de 2008 e 2009.

As motivações para voltar a fumar também dependem do tempo de abstinência do cigarro. Situações de estresse como perda de pessoas queridas, divórcios, separações e instabilidades financeiras e ansiedade são as principais causas de recaída para todos os pacientes.

Quem consegue resistir ao vício pelo período de três a seis meses, enfrenta outro inimigo poderoso: o descuido, segunda maior causa de recaídas neste grupo. Confiante de que superou o vício, o fumante dá uma tragadinha eventual, acende o cigarro do amigo e acaba, assim, retomando o velho hábito.

“As recaídas são o principal desafio de quem quer deixar de fumar. Compreender o que acontece em cada etapa do tratamento e as razões da recaída é fundamental para a adoção de estratégias para evitar o problema e aumentar as chances de sucesso”, explica Issa.

Segundo a cardiologista, para prevenir recaídas nos três meses iniciais é possível empregar recursos de “resgate”, como goma ou pastilhas de nicotina, em especial nos momentos de estresse. Já para evitar que os pacientes voltem a fumar por descuido, é importante intensificar orientações que alertem para o risco ainda presente.

“O número de consultas médicas também faz diferença. Pacientes que conseguem ficar um ano sem fumar têm em média 4 a 5 consultas nos meses iniciais, o período mais crítico”, revela a médica.

Ganho de peso

Apesar do aumento de peso durante o tratamento ser uma preocupação frequente como causa de recaída, os resultados indicam que ele não é um fator relevante. De 568 pacientes acompanhados durante um ano, 73% ganharam peso, 17% mantiveram o patamar inicial e 10% ficaram mais magros. O primeiro grupo ganhou em média cinco quilos, sendo que as mulheres engordaram mais do que os homens: sete quilos contra 5,5 no time masculino.

“Apesar desses resultados, 85% dos pacientes disseram que deixar de fumar melhorou sua condição clínica e qualidade de vida. Mesmo as mulheres consideram que os benefícios da abstinência superam o impacto do ganho de peso”, afirma Issa.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas