´Indústria do tabaco não se cansa`, diz diretor da Anvisa

Folha.com
Johanna Nublat
de Brasília
“A indústria do tabaco não se cansa de agir (…) Não é fácil”, desabafou nesta quinta-feira (31) o diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão diretamente responsável pela regulação do setor fumageiro, Agenor Álvares.

Em evento do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado hoje, Álvares foi premiado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por seu engajamento nas políticas de restrição do fumo no país.

Entre elas, a negociação para a proibição dos aditivos ao cigarro e limitações à propaganda de fumo nos pontos de venda.

“Temos muito o que avançar. A pressão que o governo sofreu nesses dois últimos anos é significativa para mostrar que a luta continua”, disse o diretor da Anvisa.

No evento, foi lançado um estudo que apontou pela primeira vez com detalhamento os gastos da saúde com o cigarro.

O país desembolsa, por ano, cerca de R$ 21 bilhões para tratar as 15 principais doenças tabaco-relacionadas.

Por outro lado, calcula a ONG que encomendou o estudo, o setor recolhe menos de R$ 7 bilhões anuais em impostos federais.

“Os dados são importantes para desmistificar que esse imposto é importante. Para nós da saúde, não é importante. Essa é uma cadeia improdutiva, porque é um produto ruim”, defendeu Álvares.

O diretor ainda argumentou que cabe ao Estado brasileiro facilitar a saída dos agricultores da produção do fumo. “Há uma perversidade da indústria de tentar manipular os interesses e nos jogar contra os agricultores que plantam tabaco.”
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas