Oito entre dez menores infratores têm envolvimento com o tráfico, diz MP

Promotor investiga jovens aliciados por traficantes em Ribeirão Preto (SP).
Internações na Fundação Casa aumentaram 63% entre janeiro e abril.
Do G1 Ribeirão e Franca

Oito em cada dez adolescentes apreendidos em Ribeirão Preto (SP) têm algum tipo de envolvimento com o tráfico de drogas. A afirmação é do promotor da Infância e Juventude, Paulo César Gentile, que investiga o envolvimento de menores no comércio de entorpecentes na cidade.

Dados da Fundação Casa comprovam o levantamento da promotoria: entre janeiro e abril, 186 menores foram internados na instituição, contra 114 no mesmo período do ano passado, aumento de 63%.

Para o promotor, os menores se envolvem com a criminalidade porque não possuem estrutura familiar e acesso à educação. “Em geral esses jovens são criados em ambientes corrompidos e desde pequenos convivem com a droga e a violência. Pela falta de oportunidades, a expressão do tráfico para esses meninos é vantajosa”, explicou Gentile.

Primariedade
O diretor adjunto da Fundação Casa, José Eduardo Pereira, confirma que a maioria dos jovens está internada na instituição por envolvimento com o tráfico de drogas. Segundo ele, um fenômeno recente é que muitos deles não possuem antecedentes criminais. “O que está acontecendo é o aumento da primariedade, ou seja, detenção de jovens que nunca tiveram envolvimento com a criminalidade”, afirmou.

Região
A promotoria também identificou que os menores estão sendo levados pelos traficantes para cidades da região, como Brodowski (SP).

O promotor Leonardo Romanelli afirmou que, na maioria dos casos, os adolescentes possuem dívidas com os traficantes e são obrigados a viajar diariamente de Ribeirão para outros municípios para trabalhar n. “Em um caso o menino morou em Brodowski por mais de um mês, longe da família, sem o consentimento da mãe, traficando todos os dias”, contou.

Para o delegado José Augusto Franzini, apesar de a polícia intensificar a prisão dos adolescentes criminosos, essa forma de aliciamento só terminará quando os traficantes forem identificados. “Não adianta só apreender o menor. O mais importante é reintegrá-lo a sociedade através de trabalhos de lazer, esporte e educação, e atuar no traficante que está obrigando o menor a vender drogas”.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas