Droga não é brincadeira

Jornal Diário de S. Paulo
Em uma democracia, quando o objetivo é o bem maior da coletividade, toda a discussão é saudável e deve ouvir o máximo possível de ideias e tendências para que se chegue à melhor solução. No caso da descriminalização do uso de drogas, o debate é importante, mas ele deve ser muito cuidadoso e, de forma alguma, deve ser feito apressadamente, tratando-se de assunto tão delicado e que traz riscos tão grandes tanto para a sociedade como um todo como para cada indivíduo.

Entre os defensores da descriminalização há grandes especialistas no tratamento do usuário de drogas, em segurança pública e até figuras públicas da estatura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. São vozes importantes, que precisam ser respeitadas, ouvidas e consideradas nas decisões a respeito de políticas públicas no setor.

Mas há também opiniões contrárias que não são menos agudas e que merecem e precisam, da mesma forma, ser sopesadas nessa questão. O importante é que não se entre no ufanismo e se avaliem todas as possibilidades e feitos de uma medida como essa.

Também é preciso não esquecer da realidade brasileira, muito diferente, por exemplo, de países europeus que têm políticas mais brandas e que funcionam para o uso de drogas. São países sem o abismo social e cultural do Brasil, onde a criminalidade é menor e não há o consumismo desenfreado.

Nossa realidade se parece mais com a dos Estados Unidos, onde, no entanto, a política de criminalização total também não tem sido uma solução. Ou seja, mesmo em países mais desenvolvidos, onde foram gastos bilhões para combater esse verdadeiro câncer social, onde há especialistas de todas as áreas trabalhando, não surgiu uma fórmula mágica para resolver o problema.

Não há família que esteja livre de ter um integrante atraído e escravizado pela droga e também não há um só cidadão que esteja em segurança diante das ameaças dos crime organizado que se tornou o tráfico. Afinal, o tráfico não se limita à venda de drogas, mas envolve também outros crimes como assalto a bancos, latrocínios,
sequestros, homicídios, roubos de carros, contrabando e outros.

Assim, é preciso olhar a questão como um todo, não apenas a situação individual do usuário, mas o que uma medida como esta pode trazer para toda a sociedade. A discussão é boa, urgente e precisa levantar caminhos para que essa chaga social seja combatida, mas não se pode nunca esquecer que droga não é brincadeira e que ela é um problema, de segurança e não podemos esquecer também, de ética.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas