Apenas 1,2 % dos usuários de droga conseguem tratamento, diz MP-GO

G1
No estado, são 50 mil dependentes para um total de 610 vagas disponíveis. Apenas cinco casas especializadas são destinadas a mulheres em Goiás.

O abismo existente entre os dependentes químicos e a falta de leitos suficientes para internação e tratamento dos pacientes é um obstáculo a ser superado no estado de Goiás. Segundo dados do Ministério Público (MP), no estado existem cerca de 50 mil usuários de drogas e apenas 230 leitos da chamada dependência álcool e droga e outros 380 leitos de psiquiatria, que estão sendo usados para o tratamento dos viciados. No total, são 610 vagas que conseguem atender apenas 1,2% dos usuários. Segundo o MP, todas essas vagas são conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O problema de tamanha preocupação voltou à tona após um do jovem de 27 anos, usuário de crack, ter subido pelado em uma torre de igreja e ameaçado pular na última segunda-feira (11).

Como tentativa melhorar esta realidade, foram surgindo, nos últimos anos, as chamadas comunidades terapêuticas, entidades financiadas por Organizações Sociais, igrejas, empresários e pela comunidade em geral. A estimativa é de que existam em Goiás cerca de 35 comunidades como estas e aproximadamente nove na capital.

Os números são pequenos se comparados à quantidade de gente que todos os dias procuram por internação em alguma dessas unidades. “Cerca de mil pessoas procuram por tratamento todos os dias nas comunidades. Algumas chegam a ficar 15 dias na fila. Nós não conseguimos atender a toda essa demanda”, revela o psicólogo Márcio Ferreira de Freitas, coordenador de uma comunidade terapêutica vinculada a uma igreja católica, no Recreio dos Bandeirantes, em Goiânia.

O psicólogo também é responsável pela construção de uma clínica, no mesmo local, que terá capacidade para 320 leitos para dependentes, destes, 20 são para Unidades de Terapia Intensiva (UTI) especializada nestes casos. O local está sendo erguido com dinheiro de colaboradores da sociedade e deve ficar pronto em dois anos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)