Proibição de venda de crack no Jacarezinho é marketing, diz delegada

G1
Titular da DCOD acha que objetivo do tráfico com decisão é apenas o lucro.
Polícia Civil tem intensificado ações na área como processo de pacificação.
Marcelo Ahmed Do G1 RJ

Uma jogada de marketing. Foi dessa forma que a titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), Valéria Aragão, interpretou a decisão do tráfico de proibir a venda de crack na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, subúrbio do Rio.

“Certamente não foi por pena do usuário. Se fosse assim, não venderia droga nenhuma. A motivação foi o lucro, não há nada de nobre nisso”, disse nesta quinta-feira (21) a delegada, ao comentar a iniciativa dos traficantes, que na quarta (20) afixaram cartazes com o aviso da proibição.

A titular da DCOD informou que o tráfico no Jacarezinho e nas vizinhas Mandela e Manguinhos recebe monitoramento especial, com operações permanentes e trabalho de inteligência.

A atenção da Polícia Civil naquela região tem vários motivos. O local abriga a maior cracolândia da cidade e figura atualmente como o complexo de favelas mais violento do Rio, depois da ocupação de comunidades tradicionamente perigosas.

Além desses fatores, está sendo contruído, entre Jacarezinho e Manguinhos, a Cidade da Polícia, que vai abrigar as delegacias especializadas. As obras devem ficar prontas em outubro, mas a central só deve começar a funcionar em janeiro.

O subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, informou que ações preliminares já estão sendo realizadas no local. “Estamos intensificando operações lá, com a mobilização de órgãos especializados e a delegacia da área”, informou Veloso.

O trabalho faz parte do projeto de pacificação do Jacarezinho, onde deve ser instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

A delegada Valéria Aragão informou que a Polícia Civil vem ainda realizando trabalho conjunto com a prefeitura para o acolhimento de consumidores de crack na região. Segundo a Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS), 1.565 pessoas foram acolhidas desde o início do projeto.

Quanto à proibição da venda da droga, a delegada vê aspectos positivos, com uma forte dose de desconfiança. “Não se pode dizer que o tráfico vai honrar sua palavra. Mas, se isso for verdade, é uma vitória da polícia, ao lado do trabalho de ação social”, afirmou.

O presidente da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, que documentou a fixação dos cartazes nas comunidades, alerta para o problema da abstinência e da migração dos consumidores. “O governo tem que acompanhar isso de perto. Os viciados, sem ter onde comprar drogas, vão parar em outros locais”, afirmou Costa.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas